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Infância além das telas: por que o equilíbrio é essencial para o desenvolvimento?

Com computadores e celulares cada vez mais presentes na rotina das famílias, o desafio é encontrar equilíbrio entre o mundo digital e as experiências fundamentais para o desenvolvimento infantil.
A discussão ganha ainda mais relevância diante do avanço da inteligência artificial. Um relatório do Unicef estima que pelo menos 20 milhões de crianças e adolescentes já utilizem ferramentas de IA generativa nos dez países analisados, incluindo o Brasil.
Além disso, o estudo mostra que eles têm mais de três vezes a probabilidade de usar esses sistemas do que seus pais. Entre os usuários, 65% recorrem à tecnologia para tarefas escolares. E, no Brasil, um em cada dez afirma utilizá-la para conversar sobre problemas pessoais, o que representa riscos à saúde mental.
Dicas para uma infância além das telas
Confira, abaixo, algumas dicas de especialistas do Hospital Pequeno Príncipe para uma infância além das telas. O tema foi abordado durante o 1.º Encontro Família e Educação — Primeira Infância, promovido pela Secretaria Municipal da Educação de Curitiba.
Incentive o brincar livre
Para o neuropediatra Anderson Nitsche, do Hospital Pequeno Príncipe, a tecnologia faz parte da vida contemporânea e não deve ser tratada como uma inimiga.
Segundo o médico, os primeiros mil dias de vida representam uma fase decisiva para a formação do cérebro. Nesse período, o desenvolvimento depende de estímulos que nenhuma tela consegue reproduzir plenamente, como o contato olho no olho, o afeto, as brincadeiras ao ar livre, o movimento, a exploração do ambiente e as interações sociais.
O especialista também chama atenção para a adolescência, fase em que o cérebro ainda está desenvolvendo habilidades relacionadas ao controle dos impulsos, à regulação emocional e à tomada de decisões.
Seja o primeiro exemplo
Angelita Wisnieski da Silva, coordenadora do Serviço de Psicologia do Hospital Pequeno Príncipe, destaca que a relação das crianças com as telas é construída, em grande parte, pelo comportamento dos próprios adultos.
Para a psicóloga, quando celulares e outros dispositivos passam a disputar a atenção dos pais, momentos importantes de interação podem ser perdidos, especialmente na primeira infância.
Ela ressalta que o brincar livre e as experiências do cotidiano são fundamentais para desenvolver criatividade, autonomia, empatia, habilidades sociais e capacidade de lidar com frustrações.
Aproveite os momentos da rotina
A gerente de Humanização do Hospital Pequeno Príncipe, Maria Nilcely Muxfeld Gloss, explica que o desenvolvimento começa desde os primeiros dias de vida.
Por isso, situações simples da rotina, como o banho, as refeições ou o trajeto entre casa e escola, podem transformar-se em momentos de aprendizado, fortalecimento dos vínculos e descoberta do mundo.
Faça da tecnologia uma aliada, não uma substituta
A tecnologia transforma a forma de aprender, comunicar-se e relacionar-se, mas não substitui a presença e as experiências que moldam a infância. Em meio ao avanço acelerado dos recursos digitais, preservar esses espaços é um desafio que envolve famílias, escolas, profissionais de saúde, empresas de tecnologia e toda a sociedade.
- Confira, no vídeo a seguir, a mesa-redonda sobre infância além das telas:
O Pequeno Príncipe é participante do Pacto Global desde 2019. E a iniciativa presente neste conteúdo contribui para o alcance do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS): Saúde e Bem-Estar (ODS 3).