Cirurgia Cardiovascular é referência no atendimento a neonatos

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Cirurgia Cardiovascular é referência nacional no atendimento a neonatos

O Hospital Pequeno Príncipe conta com o segundo serviço do país que mais realiza esse tipo de procedimento em crianças com até 30 dias de vida
09/11/2022
Cirurgia cardiovascular do Pequeno Príncipe
A cirurgia cardiovascular é realizada em recém-nascidos para reparar malformações congênitas

A cirurgia cardiovascular pediátrica é uma especialidade de alta complexidade responsável pelo tratamento estrutural de doenças do coração e dos vasos sanguíneos, as quais são divididas em congênitas ou adquiridas. A primeira é definida como alterações na anatomia ou função do coração presentes no nascimento, e a segunda são as enfermidades desenvolvidas ao longo da vida.

O Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital Pequeno Príncipe dispõe de duas equipes, que são compostas por 12 cirurgiões cardíacos pediátricos, uma estrutura própria de internamento, uma sala cirúrgica exclusiva, além de 18 leitos de terapia intensiva. Em 2021, foram realizadas 643 cirurgias e 2.031 procedimentos em crianças e adolescentes.

Cirurgia cardiovascular neonatal

Referência nacional no atendimento de neonatos – crianças com até 30 dias de vida –, o Pequeno Príncipe realiza cerca de 90 procedimentos cirúrgicos por ano nessa faixa etária, consolidando-se como o segundo serviço do país que mais faz esse procedimento. As cirurgias cardíacas em recém-nascidos são realizadas para reparar malformações congênitas – a segunda maior causa de mortalidade infantil no Brasil.

Conforme estimativa do Ministério da Saúde, cerca de 29 mil crianças nascem com cardiopatia congênita no Brasil, das quais 23 mil precisarão de cirurgia ao longo da vida para tratar a doença. Além de atender o Paraná, o Serviço de Cirurgia Cardiovascular recebe pacientes de todo o país.

Os defeitos congênitos podem ser divididos em três categorias: simples, de média e de alta complexidade. A diferença entre eles é a urgência do procedimento cirúrgico. Nas cardiopatias simples ou de média complexidade, a criança pode esperar alguns meses ou anos para realizar a correção. Nas malformações de alta complexidade, as mais graves, o recém-nascido precisa passar pelo procedimento cirúrgico em até 15 dias de vida para sobreviver.

As cirurgias cardiovasculares são divididas em corretivas e paliativas. Na primeira, o objetivo é reparar os defeitos do coração, por isso a duração do procedimento, nos casos médios, é de aproximadamente três horas. Nos casos complexos, o tempo varia entre quatro e sete horas. Nas cirurgias paliativas, a finalidade é melhorar as condições do paciente em um procedimento de menor duração, para que depois de alguns meses ou anos a cirurgia definitiva seja realizada. Nesse período, o organismo da criança amadurece e ela atinge condições físicas – como aumento de peso e componentes sanguíneos saudáveis – para ser submetida ao procedimento.

O Pequeno Príncipe realiza cerca de 90 procedimentos cirúrgicos por ano em neonatos
Referência nacional, o Pequeno Príncipe realiza cerca de 90 procedimentos cirúrgicos por ano em neonatos.

De acordo com o cirurgião cardiovascular responsável por uma das equipes do serviço, Fabio Binhara Navarro, a assistência antes, durante e depois de um procedimento cirúrgico em um recém-nascido é muito mais complexa do que em uma criança de dez quilos, por exemplo.

“Nos bebês, principalmente, o procedimento é mais complexo, pois a volemia da criança, quantidade total de sangue circulante, é muito menor em relação ao volume necessário para preencher a máquina de extracorpórea, de forma que há uma diluição muito maior deste sangue, determinando maior resposta inflamatória do organismo, maior instabilidade hemodinâmica, trazendo maiores consequências à função pulmonar, renal, hepática e mesmo cardíaca. Qualquer instabilidade, como a perda do sangue, que já é restrito devido ao tamanho do paciente, traz grandes consequências para a função pulmonar, hepática e cardíaca”, detalha Navarro.

Para garantir ainda maior segurança, além da avaliação pré-anestésica, os pacientes do serviço passam pela análise do grupo de cardiologistas clínicos, pelos intensivistas e por um hemodinamicista, antes da cirurgia.

Cardiopatias adquiridas

Os procedimentos cirúrgicos também são frequentes em crianças e adolescentes que são diagnosticados com cardiopatias adquiridas, como a febre reumática. Além disso, em alguns casos de cardiopatia congênita, é necessário realizar um segundo procedimento depois de alguns anos, que pode ocorrer devido a uma readaptação inadequada do coração ou ao crescimento do paciente.

A maioria dos procedimentos se dá por meio de uma incisão na parte lateral ou anterior do tórax, dependendo de qual área do órgão será abordada. “Mesmo que seja uma cirurgia relativamente simples, ela vai envolver alterações no pulmão, nos rins, no intestino e no próprio coração. A cirurgia cardíaca envolve todos esses subsistemas, e naquelas mais complexas também precisamos pensar no melhor ângulo de entrada, na melhor posição. Cada paciente tem uma peculiaridade”, realça o cirurgião cardiovascular pediátrico Wanderley Saviolo Ferreira.

A cirurgia cardiovascular pediátrica é uma especialidade de alta complexidade responsável pelo tratamento estrutural de doenças do coração e dos vasos sanguíneos, as quais são divididas em congênitas ou adquiridas
A cirurgia cardiovascular pediátrica é uma especialidade de alta complexidade responsável pelo tratamento estrutural de doenças do coração.

Transplante cardíaco

Credenciado no Ministério da Saúde para realizar transplantes cardíacos desde 1999, o Pequeno Príncipe realizou no ano passado dois procedimentos desse tipo e 45 transplantes de válvulas cardíacas. Em 2004, a instituição foi destaque regional ao fazer o primeiro transplante de coração pediátrico bem-sucedido do Paraná.

A complexidade envolvendo o procedimento começa na fila de espera, já que crianças só podem receber o órgão de um doador com o mesmo tipo sanguíneo e com peso igual ou até três vezes superior ao do receptor. Por isso, a importância da cultura de doação de órgãos e tecidos estar presente na consciência da sociedade.

Até o final de outubro deste ano, 584 crianças e adolescentes – de 0 a 17 anos – aguardavam por um coração, de acordo com o Sistema Nacional de Transplantes. E neste início de novembro, dez crianças pacientes do Pequeno Príncipe estão na fila do transplante cardíaco.

Comparado com uma cirurgia corretiva, o transplante de coração pode durar oito horas, nos casos mais complexos. Depois da anestesia, o procedimento é iniciado, e o paciente é ligado a uma máquina de circulação extracorpórea, que vai ajudar a bombear o sangue. Em seguida, o coração fraco é retirado, e o órgão saudável é inserido no peito. Na sequência, o paciente é encaminhado para a sala de recuperação e para a Unidade de Terapia Intensiva Cardiológica (UTI), onde imediatamente é iniciado o tratamento para se evitar a rejeição do órgão.

Equipamentos utilizados na cirurgia cardiovascular

Entre as tecnologias aliadas ao êxito das cirurgias está a máquina de circulação extracorpórea, que é um dispositivo pelo qual a circulação do sangue do paciente é, total ou parcialmente, transportada para fora do organismo.

Em 2021, foram realizadas 643 cirurgias e 2.031 procedimentos em crianças e adolescentes no Hospital Pequeno Príncipe
Em 2021, foram realizadas 643 cirurgias e 2.031 procedimentos em crianças e adolescentes.

“Na máquina, o oxigenador remove o dióxido de carbono do sangue e adiciona oxigênio. Depois disso, o sangue passa por um filtro que remove as bolhas de ar antes de retornar para o corpo por meio da aorta. A possibilidade de contornar o sangue fora do coração e dos pulmões permite que todos os tipos de cirurgias cardiovasculares sejam realizadas, das mais simples às mais complexas”, explica o cirurgião cardiovascular responsável por uma das equipes do serviço, Fábio Said Sallum.

O Pequeno Príncipe também dispõe do dispositivo de oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO), que é usada em cirurgias cardíacas mais complexas – quando a criança tem mais de uma malformação – ou em pacientes que eventualmente tenham disfunção cardíaca ou pulmonar depois da cirurgia. O suporte em ECMO oferece sobrevida que se aproxima a 50% em centros norte-americanos e entre 20% e 40% em centros brasileiros. A instituição possui o Programa ECMO, que se dedica à padronização do cuidado e constante análise da terapia e de seus resultados, realizado por uma equipe multiprofissional.

“O uso do ECMO varia de acordo com a complexidade da cirurgia e da doença. Por exemplo, uma criança que tem uma disfunção pulmonar, que é o desempenho respiratório abaixo do desejado, depois da cirurgia, pode utilizar esse tipo de assistência temporariamente, até o funcionamento ser restabelecido. A terapia mantém o suporte respiratório e hemodinâmico por um período, estendendo o tempo para recuperação”, informa o cirurgião cardiovascular pediátrico Gustavo Klug.

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