Dona Ety: 60 anos de dedicação, coragem e amor às crianças
Ao lado de seu companheiro de vida, o arquiteto Luiz Forte Netto, Ety da Conceição Gonçalves Forte ajudou a transformar a história do Pequeno Príncipe e da pediatria brasileira
A história de Dona Ety é marcada pelo propósito, coragem, ousadia, pioneirismo e um olhar profundamente humano.
Há histórias que se contam em anos. Outras, em impacto. A de Dona Ety reúne os dois. Neste 28 de agosto, o Pequeno Príncipe celebra os 60 anos de Ety da Conceição Gonçalves Forte à frente da Associação Hospitalar de Proteção à Infância Dr. Raul Carneiro, mantenedora do Hospital Pequeno Príncipe.
São seis décadas de dedicação voluntária a uma causa que se tornou seu propósito: garantir a crianças e adolescentes um cuidado de excelência, digno, equânime e profundamente humano.
Artista plástica formada pela Escola Paulista de Belas Artes, Dona Ety chegou a Curitiba na década de 1960. Pouco tempo depois, aproximou-se do trabalho voluntário com crianças e, em 1966, assumiu a presidência da associação. A partir daquele momento, sua história e a da instituição passaram a caminhar juntas.
Ao seu lado estava seu companheiro de vida, o arquiteto Luiz Forte Netto. Parceiros nos sonhos e na construção de um projeto dedicado à infância, eles ajudaram a transformar uma realidade marcada por dificuldades em uma instituição que se tornaria referência no cuidado infantojuvenil.
Dona Ety, ao lado de seu companheiro de vida, Luiz Forte Netto.
Coragem para transformar
Desde o início, Dona Ety acreditou que toda criança deveria receber o que há de melhor, independentemente de sua condição social. Essa convicção ajudou a construir um novo olhar para a assistência pediátrica, unindo ciência, tecnologia, acolhimento, arte, educação e respeito aos direitos de crianças e adolescentes.
Ao longo das décadas, esse olhar impulsionou conquistas que marcaram a história do Pequeno Príncipe e contribuíram para avanços na pediatria brasileira. Em 1968, a instituição iniciou o atendimento em oncologia pediátrica. Três anos depois, foi inaugurado o prédio do Hospital Pequeno Príncipe, projetado por Luiz Forte Netto especialmente para as necessidades das crianças — uma proposta arquitetônica pioneira no país.
Vieram ainda a primeira UTI pediátrica do Paraná, em 1976; a incorporação do Hospital de Crianças César Pernetta, em 1979; o fortalecimento da permanência da família ao lado da criança hospitalizada, que daria origem ao Programa Família Participante; e a implantação pioneira da psicologia hospitalar.
Mas o sonho não se limitava à assistência. Com a criação da Faculdades Pequeno Príncipe e do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, o projeto cresceu e passou a integrar assistência, ensino e pesquisa. Um Complexo que conecta saberes, forma profissionais, produz conhecimento e amplia seu impacto na vida de crianças, adolescentes e suas famílias.
Dona Ety rodeada pelas suas três filhas: Ety Cristina, Tatiana Forte e Patricia Rauli.
Um legado que passa de geração em geração
Para Ety Cristina Forte Carneiro, filha, diretora-executiva do Hospital Pequeno Príncipe e diretora-geral do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, dar continuidade ao legado da mãe é também assumir a responsabilidade de manter os princípios que orientaram sua trajetória.
“Dar continuidade ao legado da minha mãe é uma honra e uma enorme responsabilidade. É seguir buscando excelência e equidade e continuar perguntando o que ainda podemos fazer melhor pelas crianças. Nenhum de nós é capaz de substituí-la, mas honramos tudo que ela faz e seguimos buscando o melhor, como ela sempre nos ensina.”
Para quem cresceu ao lado de Dona Ety, as lembranças do Pequeno Príncipe se confundem com as da própria família. Tatiana Forte, filha e diretora de Extensão da Faculdades Pequeno Príncipe, recorda a infância pelos corredores do antigo Hospital de Crianças César Pernetta. Enquanto a mãe trabalhava, ela brincava no pátio e visitava as enfermarias, convivendo com as crianças.
Com o passar dos anos, aquelas experiências ganharam um significado ainda maior. “O que mais eu tenho de orgulho nessa época é, em primeiro lugar, orgulho da dedicação da minha mãe e do meu pai, Luiz, em prol das crianças de todo o estado do Paraná e de outros estados do Brasil”, conta. E resume seis décadas em uma frase carregada de afeto: “Dona Ety só existe uma.”
Para Patricia Forte Rauli, filha e diretora-geral da Faculdades Pequeno Príncipe, um dos principais ensinamentos recebidos dos pais é a defesa da dignidade para todas as pessoas. “Todas as crianças deveriam ser tratadas como pequenos príncipes e princesas”, reforça.
Dos pais, Patricia leva também a certeza de que realizar aquilo que parece impossível exige trabalho e dedicação — e de que quem recebe muito da vida tem também a responsabilidade de compartilhar e contribuir para que outras pessoas tenham segurança, oportunidades e dignidade.
Dona Ety celebrando a inauguração do Serviço de Transplante de Medula Óssea.
Uma história construída por muitas mãos
O cirurgião pediátrico Sylvio Ávilla, que integra a equipe do Pequeno Príncipe há mais de 50 anos, reconhece nessa capacidade de realização uma das características mais marcantes de Dona Ety. “Quando coloca uma coisa na cabeça, corre atrás e faz.”
Para ele, essa determinação também explica a capacidade de Dona Ety de reunir pessoas em torno de uma causa. “As pessoas acreditam nela. No que ela representa, no que ela constrói.”
A coragem e a determinação também são destacadas pelo diretor-científico do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, Bonald Cavalcante de Figueiredo. Para ele, essas duas palavras sintetizam a trajetória de Dona Ety e a disposição de começar, avançar e não recuar diante dos desafios.
O legado de Dona Ety também está presente em quem construiu sua trajetória profissional no Pequeno Príncipe. A oncologista pediátrica Flora Mitie Watanabe, uma das primeiras pediatras especializadas em câncer infantil no Brasil, acompanhou de perto essa determinação.
“Ela nunca desistia. Mesmo diante das dificuldades, e olha que naquela época era muito mais difícil, não tinha acesso, não tinha estrutura, não tinha tanto como se tem hoje. E ela batalhava mesmo”, recorda. Para a médica, foi justamente essa disposição de não se acomodar que ajudou o Hospital a crescer. “Ela fez escola aqui dentro. […] É uma lição que ficou gravada: a gente não desiste.”
Uma semente que, seis décadas depois, continua dando frutos. A consultora jurídica Náira Vieira Neto Regi, que soma mais de quatro décadas de trajetória no Pequeno Príncipe, guarda a imagem de uma mulher “ousada e corajosa”, além das histórias de quando Dona Ety saía em busca de recursos para ajudar as crianças atendidas pela instituição.
Já o ortopedista pediátrico Luiz Antonio Munhoz da Cunha, cuja relação com o Pequeno Príncipe começou ainda como acadêmico, em 1974, traduz o legado em valores. “Eu sempre digo: ela é o Pequeno Príncipe.” Para ele, colocar o paciente acima de tudo é uma filosofia que atravessou décadas e permanece na essência da instituição.
Para Dona Ety, toda criança merece o melhor.
Um jeito único de cuidar
Mais do que obras, serviços e avanços científicos, Dona Ety ajudou a construir uma cultura. Para ela, crianças e adolescentes são verdadeiros “príncipes e princesas” e devem ser cuidados dessa forma.
Esse princípio atravessou gerações e permanece presente no Pequeno Príncipe: no acolhimento às famílias, na valorização dos profissionais, na presença da arte e da cultura e na busca permanente por fazer mais e melhor.
“Eu considero Dona Ety a pessoa mais importante da história do Pequeno Príncipe”, exalta o diretor-corporativo do Complexo Pequeno Príncipe, José Álvaro da Silva Carneiro.
Neste 28 de agosto, o Pequeno Príncipe celebra e agradece a ela as seis décadas de dedicação voluntária, propósito e amor à infância. Um legado que multiplica sonhos, inspira gerações e continua transformando milhares de vidas. Parabéns, Dona Ety!
Após receber a poesia, Dona Ety retorna com palavras amáveis e recheadas de carinho:
“O amor é para ser amado! Sem amor a vida é sem luz e sem graça! Eu amo o amor com muita força e amar o amor é ter de mentirinha uma cerejeira em flor que não para de florescer! Gente linda de coração não envelhece!”
Ao lado de seu companheiro de vida, o arquiteto Luiz Forte Netto, Ety da Conceição Gonçalves Forte ajudou a transformar a história do Pequeno Príncipe e da pediatria brasileira
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