Transtorno bipolar: acompanhamento psiquiátrico é essencial

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Transtorno bipolar: acompanhamento psiquiátrico é essencial para diagnóstico preciso

A doença atinge mais os jovens, sobretudo entre os 15 e 25 anos, segundo dados da OMS
30/03/2022
transtorno bipolar
O transtorno bipolar pode gerar prejuízos em diversos contextos da vida da pessoa e afetar também o fluxo de pensamento, o comportamento e o sono.

É comum que na infância ocorram oscilações de humor de forma rápida, mas isso raramente indica um distúrbio de saúde mental. O transtorno bipolar é uma doença crônica complexa e se caracteriza por alterações de humor com ciclos em polos depressivos e maníacos. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o problema atinge cerca de 140 milhões de pessoas no mundo, sobretudo os mais jovens, de 15 a 25 anos.

De acordo com a psiquiatra Jaqueline Cenci, que coordena o Serviço de Psiquiatria do Hospital, o distúrbio pode gerar prejuízos em diversos contextos da vida da pessoa e afetar também o fluxo de pensamento, o comportamento e o sono. “A manifestação do transtorno antes dos 10 anos é incomum, atingindo apenas 10% dos casos. Por outro lado, o início antes dos 20 anos é relativamente frequente, em cerca de 60% dos casos”, destaca.

O transtorno bipolar é altamente herdado, sendo assim o maior fator de risco é a presença da doença na família. No entanto, fatores como eventos estressores, traumas ou outras condições sociais ou biológicas podem desencadear o distúrbio em pessoas predispostas. “Por ser multifatorial, existem fatores protetores. Por isso, é importante conservar hábitos saudáveis de vida, como rotinas adequadas de sono, alimentação e exercícios físicos, além de boa convivência familiar e social”, ressalta a psiquiatra.

Na infância, o quadro clínico costuma diferir do adulto e, portanto, é preciso estar atento ao contexto de vida e do desenvolvimento de meninos e meninas. “Alguns comportamentos podem ser normais para o momento vivido pela criança, e o diagnóstico não pode ser baseado em sintomas pontuais, mas em um conjunto, que ocorra simultaneamente e com uma evolução razoável”, completa a médica, que reforça a importância do acompanhamento especializado a qualquer suspeita de possíveis transtornos ou quadros depressivos.

O diagnóstico do transtorno bipolar

O quadro de transtorno bipolar na infância e na adolescência costuma iniciar com um episódio depressivo. “São comuns os sintomas de tristeza e falta de energia, com irritabilidade e oscilações bruscas de humor. O aumento de energia é um sinal de alerta, pois pode ocasionar envolvimento em atividades intensas e de alto risco. É importante também avaliar manifestações que expressam uma quebra com a realidade, como delírios ou alucinações”, alerta a psiquiatra.

O diagnóstico na infância é mais difícil de ser realizado, já que a criança muitas vezes não consegue descrever seus sentimentos. É importante a avaliação e seguimento com o psiquiatra da infância e da adolescência, bem como avaliação por psicólogo. O diagnóstico é clínico, baseado em entrevista com a criança e com a família, aliado à observação ao longo do tempo.

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A família precisa funcionar como um ambiente de segurança e afeto, e isso é essencial para que o tratamento tenha sucesso.

A importância da família no tratamento

O tratamento inicia com o auxílio ao paciente e à família na compreensão da doença e passa por procedimentos medicamentosos e psicoterapêuticos, que podem incluir psicoterapia para a criança e o adolescente, mas muitas vezes também para os pais. “O transtorno bipolar é uma doença crônica que não tem cura, mas controle. O acompanhamento e tratamento adequado costumam ser necessários ao longo de toda a vida. Para a criança, a família precisa funcionar como um ambiente de segurança e afeto, e isso é essencial para que o tratamento tenha sucesso”, finaliza a médica.

Serviço de Psiquiatria

O Serviço de Psiquiatria do Hospital Pequeno Príncipe atende pacientes internados em outras especialidades pediátricas e que necessitam de avaliação psiquiátrica. Isso porque as crianças e os adolescentes internados podem, muitas vezes, apresentar sintomas e alterações psíquicas, além das doenças que originam a internação. Além desses atendimentos em interconsultas, outras demandas são dirigidas para o ambulatório do serviço e para as atividades que fazem parte do Projeto Integra.

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