Quando é indicada medicação para TDAH em crianças e adolescentes?

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), que se caracteriza por um comportamento agitado e impulsivo associado a dificuldades em manter o foco nas atividades, exige um tratamento multimodal. Nesse sentido, costuma incluir psicoterapia, intervenções comportamentais e educacionais e, em alguns casos, uso de medicação, sempre de forma individualizada e baseada em avaliação clínica especializada.
De acordo com o neuropediatra Anderson Nitsche, do Hospital Pequeno Príncipe, o tratamento do TDAH não depende apenas da medicação. “Orientação familiar, estratégias pedagógicas na escola, organização de rotina, prática de atividade física e sono adequado são fatores fundamentais. Quando essas abordagens são combinadas com o tratamento farmacológico, os resultados costumam ser mais consistentes e duradouros”, orienta.
Quando é indicada medicação para TDAH em crianças e adolescentes?
A medicação é indicada quando os sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade causam prejuízo significativo para a criança ou adolescente, segundo o neuropediatra. Ou seja, impactando o desempenho escolar, as relações sociais ou a organização das atividades do dia a dia.
“Em geral, recomenda-se considerar o tratamento medicamentoso quando as intervenções comportamentais e educacionais isoladas não são suficientes ou quando o grau de comprometimento já é moderado ou grave”, alerta o especialista.
O diagnóstico e a prescrição podem ser feitos por médicos com experiência no manejo do TDAH, como neuropediatras, psiquiatras da infância e adolescência ou pediatras com treinamento na área. O acompanhamento costuma ser mais frequente para ajustes de dose e avaliação de efeitos adversos. Após estabilização do quadro, as consultas geralmente ocorrem a cada três a seis meses.
Quais são as opções de medicação para TDAH?
Os medicamentos mais utilizados são os estimulantes do sistema nervoso central, como o metilfenidato e a lisdexanfetamina. Eles atuam principalmente aumentando a disponibilidade de dopamina e noradrenalina em regiões do cérebro relacionadas à atenção, controle de impulsos e funções executivas. Costumam ter início de ação rápido e apresentam alta eficácia clínica.
Já os medicamentos não estimulantes, como a atomoxetina e clonidina, atuam por outros mecanismos, principalmente modulando a noradrenalina, e tendem a ter início de ação mais gradual. São frequentemente utilizados quando há contraindicação aos estimulantes, presença de determinados efeitos adversos ou resposta inadequada aos medicamentos de primeira linha.
Nesse sentido, o neuropediatra salienta que a escolha depende do perfil clínico do paciente, da idade, de possíveis comorbidades e da resposta individual ao tratamento.
Como esses medicamentos atuam?
Na maioria dos casos, recomenda-se o uso regular da medicação, especialmente durante períodos em que a criança ou adolescente precisa manter atenção e autocontrole, como na escola e nas atividades acadêmicas.
Alguns pacientes utilizam o medicamento diariamente, enquanto outros podem utilizar apenas em dias de maior demanda cognitiva. “Essa decisão deve ser feita em conjunto com o médico, considerando o perfil dos sintomas e a rotina do paciente”, pontua Nitsche.
Os estimulantes geralmente começam a fazer efeito no mesmo dia em que são administrados, dentro de 30 a 60 minutos após o uso. Já os medicamentos não estimulantes costumam apresentar efeito mais gradual, podendo levar algumas semanas para atingir seu benefício pleno.
Quais são os riscos e efeitos adversos mais comuns?
De modo geral, quando bem indicadas e acompanhadas por um especialista, essas medicações apresentam bom perfil de segurança e apresentam risco muito baixo de dependência. Os efeitos adversos mais frequentes incluem:
- diminuição do apetite;
- dificuldade para iniciar o sono;
- dor de cabeça;
- irritabilidade;
- desconforto abdominal;
- discreta perda de peso;
- redução transitória do ritmo de crescimento.
Quais sinais indicam que o tratamento está dando resultado?
O neuropediatra explica que a resposta ao tratamento costuma ser percebida por:
- maior capacidade de organização;
- redução da impulsividade;
- melhora da atenção e do foco;
- conclusão de tarefas com mais facilidade;
- mais facilidade em seguir instruções;
- melhora do desempenho nas atividades escolares e sociais.
O acompanhamento clínico e o uso de escalas de avaliação ajudam a monitorar essa evolução. Por outro lado, pode ser necessário ajustar ou trocar a medicação quando não há resposta adequada, surgem efeitos adversos relevantes ou as necessidades clínicas mudam ao longo do desenvolvimento.
Embora muitos pacientes apresentem melhora significativa dos sintomas com o crescimento, uma parte deles manifesta TDAH na vida adulta. Assim, o tratamento medicamentoso pode continuar sendo útil para melhorar organização, produtividade e qualidade de vida.
- Confira, na playlist a seguir, mais informações sobre o TDAH em crianças e adolescentes:
O Pequeno Príncipe é participante do Pacto Global desde 2019. E a iniciativa presente neste conteúdo contribui para o alcance do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS): Saúde e Bem-Estar (ODS 3).