Medicação para TDAH em crianças e adolescentes

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Quando é indicada medicação para TDAH em crianças e adolescentes?

Principais opções, funcionamento e efeitos do medicamento
07/05/2026
medicação TDAH crianças adolescentes
O tratamento do TDAH não depende apenas da medicação.

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), que se caracteriza por um comportamento agitado e impulsivo associado a dificuldades em manter o foco nas atividades, exige um tratamento multimodal. Nesse sentido, costuma incluir psicoterapia, intervenções comportamentais e educacionais e, em alguns casos, uso de medicação, sempre de forma individualizada e baseada em avaliação clínica especializada.

De acordo com o neuropediatra Anderson Nitsche, do Hospital Pequeno Príncipe, o tratamento do TDAH não depende apenas da medicação. “Orientação familiar, estratégias pedagógicas na escola, organização de rotina, prática de atividade física e sono adequado são fatores fundamentais. Quando essas abordagens são combinadas com o tratamento farmacológico, os resultados costumam ser mais consistentes e duradouros”, orienta.

Quando é indicada medicação para TDAH em crianças e adolescentes?

A medicação é indicada quando os sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade causam prejuízo significativo para a criança ou adolescente, segundo o neuropediatra. Ou seja, impactando o desempenho escolar, as relações sociais ou a organização das atividades do dia a dia.

“Em geral, recomenda-se considerar o tratamento medicamentoso quando as intervenções comportamentais e educacionais isoladas não são suficientes ou quando o grau de comprometimento já é moderado ou grave”, alerta o especialista.

O diagnóstico e a prescrição podem ser feitos por médicos com experiência no manejo do TDAH, como neuropediatras, psiquiatras da infância e adolescência ou pediatras com treinamento na área. O acompanhamento costuma ser mais frequente para ajustes de dose e avaliação de efeitos adversos. Após estabilização do quadro, as consultas geralmente ocorrem a cada três a seis meses.

Quais são as opções de medicação para TDAH?

Os medicamentos mais utilizados são os estimulantes do sistema nervoso central, como o metilfenidato e a lisdexanfetamina. Eles atuam principalmente aumentando a disponibilidade de dopamina e noradrenalina em regiões do cérebro relacionadas à atenção, controle de impulsos e funções executivas. Costumam ter início de ação rápido e apresentam alta eficácia clínica.

Já os medicamentos não estimulantes, como a atomoxetina e clonidina, atuam por outros mecanismos, principalmente modulando a noradrenalina, e tendem a ter início de ação mais gradual. São frequentemente utilizados quando há contraindicação aos estimulantes, presença de determinados efeitos adversos ou resposta inadequada aos medicamentos de primeira linha.

Nesse sentido, o neuropediatra salienta que a escolha depende do perfil clínico do paciente, da idade, de possíveis comorbidades e da resposta individual ao tratamento.

Como esses medicamentos atuam?

Na maioria dos casos, recomenda-se o uso regular da medicação, especialmente durante períodos em que a criança ou adolescente precisa manter atenção e autocontrole, como na escola e nas atividades acadêmicas.

Alguns pacientes utilizam o medicamento diariamente, enquanto outros podem utilizar apenas em dias de maior demanda cognitiva. “Essa decisão deve ser feita em conjunto com o médico, considerando o perfil dos sintomas e a rotina do paciente”, pontua Nitsche.

Os estimulantes geralmente começam a fazer efeito no mesmo dia em que são administrados, dentro de 30 a 60 minutos após o uso. Já os medicamentos não estimulantes costumam apresentar efeito mais gradual, podendo levar algumas semanas para atingir seu benefício pleno.

Quais são os riscos e efeitos adversos mais comuns?

De modo geral, quando bem indicadas e acompanhadas por um especialista, essas medicações apresentam bom perfil de segurança e apresentam risco muito baixo de dependência. Os efeitos adversos mais frequentes incluem:

  • diminuição do apetite;
  • dificuldade para iniciar o sono;
  • dor de cabeça;
  • irritabilidade;
  • desconforto abdominal;
  • discreta perda de peso;
  • redução transitória do ritmo de crescimento.

Quais sinais indicam que o tratamento está dando resultado?

O neuropediatra explica que a resposta ao tratamento costuma ser percebida por:

  • maior capacidade de organização;
  • redução da impulsividade;
  • melhora da atenção e do foco;
  • conclusão de tarefas com mais facilidade;
  • mais facilidade em seguir instruções;
  • melhora do desempenho nas atividades escolares e sociais.

O acompanhamento clínico e o uso de escalas de avaliação ajudam a monitorar essa evolução. Por outro lado, pode ser necessário ajustar ou trocar a medicação quando não há resposta adequada, surgem efeitos adversos relevantes ou as necessidades clínicas mudam ao longo do desenvolvimento.

Embora muitos pacientes apresentem melhora significativa dos sintomas com o crescimento, uma parte deles manifesta TDAH na vida adulta. Assim, o tratamento medicamentoso pode continuar sendo útil para melhorar organização, produtividade e qualidade de vida.

Saiba mais sobre TDAH!

  • Confira, na playlist a seguir, mais informações sobre o TDAH em crianças e adolescentes:

O Pequeno Príncipe é participante do Pacto Global desde 2019. E a iniciativa presente neste conteúdo contribui para o alcance do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS): Saúde e Bem-Estar (ODS 3).

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