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Hospital Pequeno Príncipe participa do 6º Congresso Todos Juntos Contra o Câncer

No evento, realizado em São Paulo, a instituição apresentou a relação entre a assistência, o ensino e a pesquisa para fortalecer o combate à doença

Os avanços e desafios do cuidado com a criança que enfrenta o câncer e a relação entre a assistência, o ensino e a pesquisa foram os temas do painel apresentado pelo Hospital Pequeno Príncipe durante o 6º Congresso Todos Juntos Contra o Câncer, realizado no dia 4 de setembro, em São Paulo, no WTC Events Center. A coordenadora de projetos da instituição, Thelma Alves de Oliveira, mediou o encontro.

A médica-chefe do Serviço de Oncologia, Flora Mitie Watanabe, abriu o painel abordando os desafios e avanços do tratamento no Pequeno Príncipe, que há mais de 50 anos é referência na especialidade. “Na década de 1960, quando começamos, a maioria das crianças morria. Não existiam medicamentos eficazes, não havia conhecimento sobre como enfrentar a doença. Quando surgiram as primeiras terapias, era difícil convencer até mesmo os pais de que havia uma possibilidade de tratamento. Com o passar dos anos, as pessoas foram acreditando que é possível enfrentar e vencer o câncer”, relembrou.

Os desafios, no entanto, não acabaram. Para a médica, um dos principais é promover o diagnóstico precoce, que comprovadamente salva vidas. “O diagnóstico precoce realmente faz a diferença no desfecho clínico desse paciente. Precisamos informar cada vez mais as pessoas sobre os sintomas para que as famílias fiquem atentas aos sinais”, reforçou. Outro grande desafio apontado pela oncologista é oferecer aos pacientes os tratamentos mais modernos, que ainda são extremamente caros.

 

Pesquisa

Dando sequência ao painel do Pequeno Príncipe, a médica Carolina Prando apresentou a relação entre os erros inatos da imunidade, que fazem parte de um grupo de cerca de 350 doenças resultantes de mutações em genes do sistema imunológico, e o câncer na pediatria. A profissional apresentou o caso de um paciente que desde os primeiros anos de vida sofreu diversas infecções graves.

Aos cinco anos, já tinha passado por quatro internações. Aos sete, teve Linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer. Ele foi tratado com quimioterapia e superou a doença. Aos dez anos chegou na equipe de imunoterapia do Hospital Pequeno Príncipe. Um estudo detalhado do seu caso levou à descoberta de que ele tinha uma mutação genética que provocava os quadros repetidos de infecção e esta mesma mutação estava relacionada ao surgimento do câncer. Trata-se de uma mutação rara e até o momento do diagnóstico, havia apenas 12 casos no mundo descritos na literatura médica.

A orientação de tratamento para o paciente era o transplante de medula óssea. Aos 15 anos ele foi submetido ao procedimento e agora o garoto está em recuperação.

A médica e pesquisadora também apresentou dados de um estudo norte-americano que demonstrou que os erros inatos da imunidade aumentam em dez vezes o risco de desenvolvimento de linfomas. “A compreensão de como estas doenças se relacionam com o maior risco de neoplasias, os genes e vias de sinalização envolvidos no processo, abre portas para o aprimoramento e desenvolvimento de novos tratamentos”, explicou.

 

Laboratório Genômico

A vice-diretora de manutenção e serviços do Pequeno Príncipe, Daisy Schwarz, apresentou a experiência de implantação do Centro de Diagnóstico Avançado – Laboratório Genômico do Hospital Pequeno Príncipe, unidade que também gerencia.

Viabilizado por um projeto do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (PRONON) e investimentos diretos de apoiadores do Hospital, já realizou, gratuitamente, mais de seis mil testes genéticos.

Segundo Daisy, além de possibilitar aos pacientes acesso a diagnósticos moleculares que permitem ao médico uma tomada de decisão mais assertiva, a implantação do laboratório também tornou o processo mais célere dentro da instituição, que antes precisava contar com serviços externos para a realização dos diversos exames. “Hoje nossos profissionais contam com um laboratório moderno, que presta assessoria técnica para a decisão do melhor exame a ser feito e interpretação do mesmo, com tempo reduzido para acesso aos resultados”, reiterou.

Ao oferecer acesso a exames moleculares a pacientes atendidos pelo SUS, completa Daisy, o Pequeno Príncipe está, mais uma vez, reafirmando o seu compromisso com a equidade na atenção às crianças. “Queremos que todas as crianças, independentemente da condição financeira de sua família, tenham acesso ao que há de melhor para o seu diagnóstico e tratamento”, ressaltou. O pesquisador e consultor científico do – Laboratório Genômico do Hospital Pequeno Príncipe, Roberto Rosati, também apresentou o portfólio de exames realizados, bem como a indicação de cada um.

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