Cardiopatias congênitas: diagnóstico precoce propicia tratamento assertivo

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Cardiopatias congênitas: diagnóstico precoce é fundamental para tratamento assertivo

O conjunto de doenças pode ser descoberto ainda na gravidez, com o ecocardiograma fetal, ou nos primeiros dias após o nascimento, por meio do teste do coraçãozinho
12/06/2022
cardiopatias congênitas
Miguel Gabriel da Silva Valoroski, de 1 ano, foi diagnosticado com cardiopatia congênita e recebeu um novo coração em março.

 

As cardiopatias congênitas são um conjunto de doenças caracterizadas pela malformação na estrutura ou na função do coração. No Brasil, por ano, nascem 29 mil cardiopatas, ou seja, a enfermidade acomete dez a cada mil nascidos vivos. É o caso de Miguel Gabriel da Silva Valoroski, de 1 ano, que recebeu um novo coração em março deste ano.

O menino chegou ao Hospital Pequeno Príncipe, aos 5 meses, com febre, respiração acelerada e saturação baixa. Durante a investigação dos sintomas, a equipe médica realizou um ecocardiograma – principal recurso diagnóstico dos casos dessa enfermidade – e foi constatado que ele tinha uma anomalia na estrutura do coração.

“Do parto até os 5 meses, o Miguel teve uma vida normal. O primeiro sintoma foi a respiração, que começou a ficar mais acelerada. Levamos ele ao médico algumas vezes, mas falavam que era resfriado. Quando meu filho teve uma febre muito alta, o levamos para o Pequeno Príncipe. De um resfriado, a gente descobriu uma cardiopatia”, relata a mãe da criança, Beatriz Valoroski das Almas.

Neste 12 de junho, Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita, é preciso lembrar que o diagnóstico precoce salva vidas, já que a malformação pode ser descoberta ainda na gravidez, com o ecocardiograma fetal, ou no início da vida, por meio do teste de coraçãozinho, sendo realizado entre 24 e 48 horas após o nascimento.

De acordo com a cardiologista pediátrica Cristiane Binotto, do Pequeno Príncipe, uma dúvida comum é sobre o que é esse conjunto de doenças. “Pode ser desde um defeito pequeno na estrutura do coração (CIA e CIV), que não tem repercussão, até o estreitamento de uma das válvulas do coração, principalmente a pulmonar e aórtica”, explica.

Em casos graves, a doença é a terceira maior causa de morte em recém-nascidos de até 30 dias. Além disso, em torno de 80% crianças com o diagnóstico vão precisar de alguma cirurgia cardíaca durante a vida. Por isso, a conscientização sobre a detecção precoce e o tratamento adequado dessas enfermidades são tão importantes.

“Nos casos de cardiopatias graves, o tratamento adequado nos primeiros dias de vida é fundamental. Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, evitamos que a criança faça uma lesão preocupante incompatível com cirurgia ou outro problema associado como problema neurológico. Por exemplo, até descobrir a enfermidade, depois de alguns meses ou anos de vida, o paciente pode ter uma infecção importante, pode ter convulsões, e isso vai agravar o caso. Por isso, o diagnóstico ainda na gravidez é tão importante, para que o bebê tenha a assistência necessária assim que nascer”, enfatiza a cardiologista.

cardiopatias congênitas
Com o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, é possível o paciente levar uma vida normal, como é o caso do Miguel.

 

Saiba mais sobre as cardiopatias congênitas infantis

As cardiopatias congênitas são classificadas como simples ou ducto-dependentes, que necessitam de cirurgia nos primeiros dias de vida. No mundo, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), 130 milhões de crianças têm algum tipo da doença.

No Paraná nascem, aproximadamente, 150 mil bebês por ano. Destes, 1.200 terão cardiopatias, uma taxa estimada de 0,8%. Conforme o Ministério da Saúde, as doenças correspondem a 10% das causas de óbitos infantis, bem como a 20% a 40% das mortes decorrentes das enfermidades.

O tratamento da cardiopatia congênita pode ser feito com uso de medicamentos e, se necessário, cateterismo e indicação de cirurgia. A boa notícia é que, com acompanhamento de um cardiologista, adesão ao tratamento e orientações médicas, o cardiopata pode ter uma vida normal. “Um dia depois da cirurgia, o Miguel já estava respirando sozinho. Ele ficou menos tempo internado depois do procedimento do que quando descobrimos a doença. Foi um milagre”, finaliza a mãe.

Serviço de Cardiologia

O Serviço de Cardiologia do Hospital Pequeno Príncipe é referência no atendimento de pacientes com cardiopatias congênitas e recebe, todos os anos, crianças com essas enfermidades, sendo que muitos deles são submetidos a procedimentos cirúrgicos. O serviço é referência nacional em cirurgia cardíaca pediátrica de bebês com até 30 dias de vida – sendo a instituição que mais realiza esse procedimento no Brasil.

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