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Queda de cabelo não é só coisa de adulto: saiba como agir

Ainda que a queda de cabelo pareça ser um problema que atinge apenas os adultos, não é incomum que crianças também relatem alguns fios a menos nessa fase da vida. Encontrar mechas soltas nos travesseiros dos pequenos assusta, mas a questão é menos grave do que parece.
A dermatologista pediátrica Flavia Prevedello, do Hospital Pequeno Príncipe, explica que a queda de cabelo pode ser uma resposta temporária do organismo a situações de estresse físico e nem sempre indica um problema de saúde.
“A queda de cabelo pode ser considerada normal após situações como infecção, cirurgia ou outro episódio de estresse intenso. Nesses casos, ela costuma surgir entre dois e três meses após o evento desencadeante, devido ao encurtamento da fase de crescimento dos fios, e tende a se normalizar espontaneamente em alguns meses.” No entanto, se persistir por mais de seis meses, é importante investigar outras possíveis causas.
Quais são as doenças que causam a queda de cabelo infantil?
Tinea capitis, a micose do couro cabeludo
Trata-se de uma infecção causada por fungos, normalmente adquirida em ambientes escolares. Aqui, a queda de cabelo não é o único sintoma a ser observado: fios quebradiços, coceira e vermelhidão são outros sinais clássicos. O tratamento inclui a utilização de antifúngico oral, receitado apenas por médico, e xampus com componentes voltados para o alívio do problema.
Dermatite seborreica
Inflamação comum do couro cabeludo, conhecida popularmente como caspa e, nos bebês, como crosta láctea. Além da descamação e da coceira, a condição pode causar irritação local e, em casos mais intensos, levar à queda temporária dos fios devido ao enfraquecimento dos folículos. O tratamento é orientado pelo dermatologista e pode incluir xampus específicos e medicamentos para controlar a inflamação e aliviar os sintomas.
Alopecia areata
Condição autoimune que acontece quando o sistema imunológico ataca por engano os folículos capilares. O resultado aparece em falhas que não se limitam ao cabelo, podendo descer para as sobrancelhas e os demais pelos do corpo. Não contagiosa, pode ser um problema de histórico familiar. O tratamento é individualizado.
Tricotilomania
O transtorno psiquiátrico é observado em quem tem o costume repetitivo de arrancar os próprios fios de cabelo ou pelos do corpo após picos de tensão e estresse. A prática leva à formação de fios curtos, pontas quebradas e áreas de crescimento desigual. É importante que o tratamento do quadro envolva a compreensão familiar, pois não se deve constranger ou reprimir a criança. Recomenda-se apoio psicológico em parceria com cuidados dermatológicos mais rigorosos, prescritos em consulta.
Hipotireoidismo
Condição em que a glândula tireoide produz hormônios em quantidade insuficiente, o que pode desacelerar o metabolismo e interferir no ciclo de crescimento dos fios. Nesses casos, a queda de cabelo costuma ser difusa, atingindo todo o couro cabeludo, e pode vir acompanhada de sinais como: fadiga, ganho de peso, pele seca e sensibilidade ao frio. O diagnóstico é feito por avaliação médica e exames laboratoriais, e o tratamento consiste na reposição hormonal, quando indicada.
Quais alimentos ajudam a fortalecer os fios?
Para fortalecer o fio infantil, Flavia recomenda a priorização de alimentos ricos em proteínas, ferro, vitaminas do complexo B, vitamina A e vitamina C, como:
- carnes magras;
- peixes, como sardinha e salmão;
- ovos;
- cenoura;
- batata-doce;
- folhas verdes, como espinafre e couve;
- grãos integrais, como aveia;
- frutas, como laranja, morango, manga e acerola.
Além disso, a suplementação vitamínica é indicada por um especialista quando há carência identificada por meio de um exame de sangue.
Como prevenir a queda de cabelo infantil?
Manter uma alimentação equilibrada, cuidar da saúde da criança, reduzir situações de estresse e ter delicadeza ao pentear os cabelos, essas são medidas importantes para ajudar a prevenir a queda. Também é recomendado evitar penteados muito apertados ou que tracionem excessivamente os fios, pois esse hábito pode causar quebra e até favorecer a queda por tração, especialmente em crianças com cabelos longos ou cacheados.
Outra observação essencial envolve evitar o uso de química precoce nos cabelos. Alisamentos e tinturas excessivas causam irritabilidade e queda, segundo a dermatologista. O couro cabeludo infantil é mais sensível e absorve substâncias tóxicas com mais facilidade. Além de irritações e queimaduras, o organismo imaturo corre risco de intoxicação, reações alérgicas graves e até danos respiratórios.
A especialista também alerta que os pais e cuidadores devem evitar recorrer a xampus antiqueda, fórmulas caseiras ou produtos sem comprovação científica na tentativa de tratar o problema em casa. Essas alternativas não costumam trazer benefícios e podem atrasar o diagnóstico e o tratamento adequado, que dependem da investigação da causa da queda de cabelo.
O Pequeno Príncipe é participante do Pacto Global desde 2019. E a iniciativa presente neste conteúdo contribui para o alcance do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS): Saúde e Bem-Estar (ODS 3).