Ortopedia: Pequeno Príncipe é referência em doenças complexas

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ALTA COMPLEXIDADE | Serviço de Ortopedia

A especialidade é referência em tratamento de doenças e síndromes complexas. Saiba mais sobre o serviço na série de alta complexidade
05/12/2022
Serviço de Ortopedia do Hospital Pequeno Príncipe
O Serviço de Ortopedia do Pequeno Príncipe dispõe, no Centro Cirúrgico, de uma das infraestruturas mais modernas do país.

O Serviço de Ortopedia do Pequeno Príncipe é considerado um dos maiores centros pediátricos do Brasil que oferece tratamento para doenças complexas e deformidades que acometem o aparelho locomotor de crianças e adolescentes, tais como: doenças congênitas, neuromusculares, traumas e patologias ortopédicas adquiridas. Referência nacional, é um dos serviços mais antigos do Hospital, com quase 90 anos, ao lado da Cirurgia Pediátrica, e no início do século passado recebia alunos da então Universidade do Paraná.

Atualmente, é um serviço composto por 20 médicos ortopedistas pediátricos, especializados no Brasil e no exterior, focados na saúde infantojuvenil. No ano de 2021, a especialidade realizou 17.249 procedimentos cirúrgicos, 13.040 consultas ambulatoriais e 122 enxertos ósseos. Entre as cirurgias, estão as de alta complexidade como as oncológicas, deformidades da coluna vertebral e procedimentos complexos do quadril e doenças neuromusculares, que podem, às vezes, ultrapassar dez horas consecutivas de atividade.

O Serviço dispõe, no Centro Cirúrgico, de uma das infraestruturas mais modernas do país, com mesas cirúrgicas específicas para diferentes tipos de procedimentos (deformidades da coluna), intensificador de imagem e ar-condicionado com fluxo laminar – além de médicos anestesistas capacitados para realizar procedimentos complexos infantis com segurança, contando sempre com apoio de uma equipe de enfermagem, e outros profissionais de apoio, altamente qualificados.

O médico ortopedista Luiz Antonio Munhoz da Cunha, chefe do Serviço de Ortopedia do Pequeno Príncipe, explica que os ortopedistas da instituição, além do atendimento primário de casos encaminhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), prestam suporte aos demais serviços como manifestações ortopédicas, fraturas, infecções do aparelho locomotor e deformidades presentes em vários tipos de doenças e síndromes raras.

“Nós atendemos crianças portadoras de doenças complexas na essência, associadas a deformidades e disfunções que se potencializam com o crescimento, e que têm um ‘momento certo’ para procedimentos cirúrgicos. Por estas características, estabelecemos um vínculo com os pacientes e seus responsáveis, que muitas vezes persiste por décadas. Em muitos casos, a criança precisa passar por diversas cirurgias para ter um resultado satisfatório da sua deformidade”, realça o médico.

Serviço de Ortopedia do Pequeno Príncipe
A Ortopedia Pediátrica é uma subespecialidade que inclui todas as doenças ortopédicas da infância.

Além disso, o atendimento multidisciplinar oferecido aos pacientes, como o suporte psicológico, faz parte dos diferenciais do Pequeno Príncipe. Segundo Cunha, no país são poucas as instituições que podem oferecer um atendimento nos moldes de como ele ocorre na instituição. A especialidade trabalha em conjunto com o Serviço de Oncologia e Hematologia, atendendo às principais repercussões sobre o aparelho locomotor, relacionadas aos diferentes tumores que atingem os ossos e articulações, como o osteossarcoma e o sarcoma de Ewing.

O serviço de Ortopedia trata doenças dos ossos e do aparelho locomotor. As enfermidades que acometem esses sistemas podem ter diversas origens, sendo divididas em quatro grupos: doenças congênitas, doenças adquiridas, doenças neuromusculares e doenças traumáticas.

Laboratório de Marcha do Pequeno Príncipe
A análise computadorizada da marcha identifica distúrbios do andar que não podem ser detectados pelo exame físico e análise visual.

Doenças congênitas

São comuns e incluem o comprometimento, ao nascimento, isolado ou múltiplo, de diferentes partes dos ossos, articulações e músculos. No Ambulatório de Ortopedia, os atendimentos de casos de pé torto congênito são prevalentes, inclusive de casos complexos associados a síndromes raras, que exigem um tratamento diferenciado, longo e trabalhoso. Nessa malformação, que envolve ossos, músculos, tendões e vasos sanguíneos, a criança nasce com um ou os dois pés virados para dentro, e o tratamento é realizado por meio da colocação de gessos semanais, com a finalidade de atingir a correção total. O tratamento cirúrgico também pode ser indicado, a depender da gravidade da doença.

Nos casos de malformações complexas da mão, o tratamento é feito por cirurgiões especializados. Entre muitas condições congênitas, o gigantismo de mão é frequentemente atendido na instituição. Trata-se de uma doença genética rara, caracterizada pelo crescimento anormal de um ou mais dedos da mão, e afeta todos os tecidos do membro, inclusive os ossos. Frequentemente, a deformidade é associada a outras síndromes raras. O processo terapêutico é demorado, já que são necessários vários procedimentos cirúrgicos para diminuir a circunferência do dedo.

Doenças adquiridas

Nesse grupo estão as enfermidades adquiridas ao longo da vida. Na instituição, grande parte dos atendimentos são de escoliose idiopática do adolescente, que é uma condição na qual a coluna vertebral desenvolve uma ou mais curvaturas anormais, com diversas formas – mais ou menos progressivas. A origem da doença não é definida, mas está associada ao estirão do crescimento que ocorre nesse período. O tratamento varia para cada caso e pode envolver uso de coletes, fisioterapia e cirurgias de correção.

Em outubro deste ano, o caso de um menino de 3 anos foi destaque em um seminário promovido pelo serviço de Ortopedia, que contou com apoio de entidades internacionais. Com diagnóstico de escoliose de início precoce, a equipe médica optou pelo tratamento não invasivo Mehta, que inclui a colocação de gesso na coluna, deixando a espinha ereta e permitindo um crescimento saudável.

Conforme o ortopedista Luis Eduardo Munhoz da Rocha, do Pequeno Príncipe, o paciente tinha um grau de desvio da coluna de quase 70°. “Com essa técnica, realizada no Centro Cirúrgico, reduzimos para 30° o grau de desvio. A troca de gesso acontece a cada dois ou três meses e segue até conseguirmos uma curva de desvio abaixo de 15°, quando é passível colocar um colete”, detalha o médico.

Outra enfermidade frequentemente tratada pelo serviço é a doença de Legg-Perthes, que consiste na deformação da cabeça do quadril e decorre da perda momentânea de fluxo sanguíneo, provocando a morte dos tecidos da cabeça do fêmur. Os sintomas são dor no quadril e dificuldade para andar. Já o tratamento pode ser realizado por meio de imobilização do quadril, com gesso ou tala, repouso e fisioterapia.

Segundo o chefe do serviço, Luiz Antonio Munhoz da Cunha, casos de displasia do desenvolvimento do quadril, que é a principal causa de artrose em jovens adultos, são frequentemente atendidos no Pequeno Príncipe. “Priorizamos o diagnóstico precocemente, nos primeiros anos de vida, para evitar doenças degenerativas complexas do quadril, que estão relacionadas diretamente a sequelas”, explica.

Deformidades adquiridas do pé, como o pé plano valgo, caracterizado por uma arcada interna da planta do pé ausente ou diminuída, que afeta a locomoção e acarreta lesões, fraturas e sobrecarga de membros, além de favorecer quedas e entorses, também são tratadas no Ambulatório de Ortopedia do Pequeno Príncipe, e geralmente são casos cirúrgicos.

Cirurgia da coluna Hospital Pequeno Príncipe
No ano passado, 853 procedimentos cirúrgicos de escoliose foram realizados pela equipe.

Doenças neuromusculares

São doenças que afetam a função muscular com várias etiologias, como pré-natais, perinatais ou pós-natais. As deformidades já estão presentes ao nascimento ou se desenvolvem pela disfunção muscular. Segundo o médico, dentro dessa gama de doenças, o comprometimento de quadril e da coluna é muito comum nos casos mais graves, prejudicando de forma progressiva a qualidade de vida dos pacientes. O diagnóstico e o tratamento precoce dessas condições estão relacionados a uma melhor reabilitação. Muitas das doenças exigem tratamento cirúrgico.

O Hospital Pequeno Príncipe conta com uma linha de cuidado específica aos pacientes em tratamento com mielomeningocele – caracterizada por uma malformação da coluna vertebral e da medula espinhal, com múltiplas causas –, que engloba desde a cirurgia de correção até o processo de reabilitação.

Outra doença prevalente em atendimento na instituição é a paralisia cerebral, caracterizada por alterações neurológicas que podem levar a alterações do movimento, coordenação, equilíbrio e tônus muscular, podendo acarretar deformidades ortopédicas importantes nos pés, no quadril e na coluna. O tratamento varia para cada caso e depende da gravidade das lesões. “Quase 90% de crianças e adolescentes com paralisia cerebral que não andam, e que possuem um comprometimento muscular grave, vão fazer uma deformidade da coluna e do quadril progressiva, que vão precisar de cirurgias para melhorar a qualidade de vida”, informa o médico.

A artrogripose múltipla congênita, que envolve limitações dos movimentos das articulações, também é comum entre os pacientes atendidos. A contratura não é um diagnóstico específico, mas um achado que pode estar presente em mais de 300 doenças diferentes. As deformidades são caracterizadas pela flexão ou extensão das articulações e podem afetar a coluna, ombros, cotovelos, punhos e mãos. Entre os tratamentos disponíveis estão a colocação de gesso e o procedimento cirúrgico.

A instituição conta com um trabalho de assistência, inclusão social, terapias e garantia de direitos desenvolvido pelo Centro de Reabilitação e Convivência Pequeno Príncipe. O espaço foi ampliado, com novos públicos e serviços, como o Laboratório Computadorizado de Marcha, único em funcionamento no estado destinado às avaliações clínicas de pacientes, que fornece parâmetros biodinâmicos que geram interpretação, diagnóstico e dados para intervenção da equipe médica.

Ambulatório de ortopedia do Hospital Pequeno Príncipe
Mais de 13 mil consultas foram realizadas no ambulatório de Ortopedia em 2021.

Doenças traumáticas

Entre as doenças traumáticas, as fraturas (ruptura dos ossos) e as luxações (perda parcial ou total do contato entre os ossos) são as mais atendidas pela especialidade. Na sequência, aparecem as entorses (lesões dos ligamentos das articulações) e as contusões (afetam os tecidos moles). O paciente chega, em grande parte, pela Emergência Convênios e Particular e Pronto-Atendimento SUS, já que as lesões são de causas traumáticas.

Serviço de Ortopedia é referência no reconhecimento e atendimento a maus-tratos

O Hospital Pequeno Príncipe trabalha, desde a sua criação, na promoção e defesa de direitos das crianças e adolescentes e desenvolve uma série de iniciativas em favor da proteção integral dos meninos e meninas. Com um olhar diferenciado, o Serviço de Ortopedia iniciou, em 1970, um atendimento voltado aos casos que chegavam à instituição com lesões incompatíveis àquelas histórias relatadas pelos responsáveis.

“50% dos maus-tratos são vistos inicialmente na emergência pelos ortopedistas, porque são lesões ósseas e musculoesqueléticas do aparelho locomotor. Por isso, no Serviço de Ortopedia temos protocolos de atendimento com percepções voltadas para a história clínica e tipos de fraturas típicos de lesões por abuso”, relata o ortopedista. Todos os anos, o Hospital Pequeno Príncipe recebe crianças e adolescentes vítimas de diferentes tipos de violência: sexual, física, psicológica, negligência ou autoagressão. Em 2021 foram 618 atendimentos.

Desde 2006, a instituição promove a campanha “Pra Toda Vida – A violência não pode marcar o futuro das crianças”, que busca dar visibilidade ao tema, seja ajudando os profissionais a identificarem os sinais de violência, seja incentivando as pessoas a denunciarem casos suspeitos, bem como a se somarem aos movimentos de proteção existentes.

Iniciativas como essa, que o Serviço de Ortopedia criou, são comuns em todos os setores do Pequeno Príncipe, já que o olhar durante o atendimento é voltado para a criança e ao adolescente. Além disso, a integração entre as diferentes especialidades e serviços complementares – psicologia, fisioterapia, serviço social, nutrição e fonoaudiologia, por exemplo – oferece um tratamento multiprofissional e completo para diversos meninos e meninas do país.

Equipe do Serviço de Ortopedia do Pequeno Príncipe
Equipe do Serviço de Ortopedia do Pequeno Príncipe em celebração ao centenário, em 2019.

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