Transtorno do espectro autista

Transtorno do espectro autista

O que é?

Muitos pais e responsáveis chegam ao consultório do pediatra queixando-se de que a criança tem atraso de fala. Isso por si só é um sintoma importante, que pode estar presente em diversos transtornos de desenvolvimento, mas é comum que, associado a outros sintomas, esteja ligado ao transtorno do espectro autista (TEA).

Ele afeta a capacidade de a criança comunicar-se e interagir socialmente, além da maneira como ela pensa e se comporta, prejudicando o relacionamento com outras pessoas. Também faz com que a criança tenha padrões repetitivos de comportamento, como bater as mãos ou repetir certos sons ou frases.

A criança com TEA percebe os estímulos sensoriais de forma mais ou menos intensa do que outras pessoas e pode ter dificuldade para processar o ambiente em que ela está. Essas condições geralmente são percebidas nos primeiros anos de vida, variando para cada criança. Em geral, elas evitam o contato visual, não gostam de ficar perto de outras pessoas ou não sabem como brincar e conversar com crianças da mesma idade.

Normalmente, os indivíduos são voltados para si e, mesmo quando conseguem falar, não usam a fala como ferramenta de comunicação. Algumas crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista podem realizar todas as atividades do dia a dia, outras precisam de tratamentos e terapias, mas essa é uma condição para toda a vida.

Você sabia? O termo “espectro” se refere a uma escala de amplitude e intensidade e foi adotado para referir-se ao transtorno autista em 2013. Como essa é uma doença com várias possibilidades e combinações diferentes, os especialistas podem classificar o tipo de manifestação de acordo com os sintomas e níveis que a criança apresenta.

Quando acontece?

O transtorno do espectro autista ocorre mais em meninos que em meninas. Nas famílias que têm um filho com autismo, a recorrência é de até 8% em outro irmão. Embora não haja uma causa única e conhecida, existe um risco aumentado para pessoas com certas condições genéticas, como a síndrome do X frágil e esclerose tuberosa.

Causas e fatores de risco

  • Genética (alteração no material genético durante a formação do bebê)
  • Possibilidade de relação com fatores ambientais que tenham impactado o desenvolvimento do bebê

Sintomas possíveis

  • Déficits de linguagem (variando de um atraso no desenvolvimento até a completa falta de fala)
  • Ecolalia (repetição ou eco de palavras e sons)
  • Dificuldade de entender linguagem corporal e mudanças no tom de voz
  • Dificuldade de envolver-se, comunicar e interagir com outras pessoas
  • Falta de interesse em compreender sentimentos (próprios ou de outras pessoas)
  • Pouco ou nenhum contato visual
  • Movimentos repetitivos e muitas vezes bruscos (agitar os braços ou balançar de um lado para o outro)
  • Interesse obsessivo por um determinado tópico ou atividade
  • Apego excessivo a rotinas ou rituais
  • Irritabilidade com pequenas mudanças de rotina
  • Restrições alimentares excessivas
  • Reação exagerada a estímulos sensoriais (como dificuldade com sons altos, não gostar de ser tocado ou não gostar de certas texturas nos alimentos)
  • Problemas de sono

Fique atento! Embora os sintomas possam variar muito, o desenvolvimento da criança depende do tratamento que é dado. Procure a opinião de um especialista.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito com base nos sinais e sintomas estabelecidos na classificação internacional de doenças da Organização Mundial da Saúde, em que o pediatra avalia o grau de comprometimento da criança e o histórico dela e da família.

Podem ser feitos testes psicológicos e de linguagem, para entender e mapear as habilidades cognitivas. O médico pode pedir ainda exames de audição e visão, para ver se existe algum problema que possa estar contribuindo para os sintomas. Se houver suspeita de esclerose tuberosa, pode ser necessário um exame de lâmpada de Wood (que é um teste cutâneo para identificar a doença). Em geral, o diagnóstico é baseado na presença de determinados padrões de comportamento, podendo ser necessária uma equipe multidisciplinar.

Tratamento

No momento não há cura conhecida para o transtorno do espectro autista. Uma vez identificados os sinais e feito o diagnóstico, o acompanhamento multidisciplinar é fundamental para o desenvolvimento adequado das capacidades de comunicação, socialização e maior autonomia da criança.

Com o auxílio de terapias, ela pode desenvolver habilidades linguísticas, sociais e lúdicas. A fonoaudiologia pode ajudar a entender a linguagem e usá-la para expressar-se. A terapia ocupacional e física pode desenvolver habilidades motoras (finas e grossas) e alterações no processamento sensorial (melhorando por exemplo as queixas relacionadas a barulhos).

São várias as possibilidades, mas é importante saber que nenhum tratamento é o melhor para todas as crianças. Ele deve atender às necessidades individuais. Cada paciente exige um tipo de acompanhamento específico e individualizado, com participação dos pais ou responsáveis, familiares e de uma equipe profissional multidisciplinar. O uso de medicamentos só é indicado quando surgem complicações de saúde e comorbidades (doenças relacionadas).

Quando devo procurar o Hospital Pequeno Príncipe?

Os sintomas podem aparecer com poucos meses de idade, mas, em alguns casos, a criança pode estar desenvolvendo-se normalmente e, de repente, esse desenvolvimento fica mais lento, havendo uma regressão das habilidades verbais e da capacidade de relacionar-se com os outros (ver sintomas).

Se o diagnóstico confirmar o transtorno do espectro autista, quanto mais cedo for feito o acompanhamento médico, melhores serão os resultados. O Pequeno Príncipe tem uma equipe altamente especializada para ajudar no tratamento e desenvolvimento da criança, dando oportunidade para que ela tenha mais qualidade de vida.

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