Laurentina Rodrigues: o cuidado presente em cada pijama dobrado

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Laurentina Rodrigues: o cuidado presente em cada pijama dobrado

“O que me conforta é saber que estou fazendo o meu trabalho direito, ajudando quem precisa ficar bem. Isso é o que eu gosto: ver o resultado do cuidado.”
30/04/2026
Laurentina Rodrigues
Laurentina Rodrigues dedica-se ao Hospital Pequeno Príncipe há mais de duas décadas. (Foto: Complexo Pequeno Príncipe/Thiana Perusso)

O que começou por acaso, após um imprevisto com a filha, transformou-se em uma trajetória de mais de duas décadas marcada por afeto, propósito e pertencimento. No Hospital Pequeno Príncipe, Laurentina Rodrigues encontrou mais do que um trabalho. Ela construiu laços, foi acolhida e retribuiu com cuidado e dedicação, a ponto de ganhar netos postiços ao ser carinhosamente chamada de “vovó Laura”. Após anos de dedicação à higienização, hoje ela atua na lavanderia, onde encontra alegria em cada detalhe, especialmente ao dobrar os pijaminhas com carinho e atenção. Entre mudanças e novas histórias, tem a certeza de que, mesmo sem planejar, a vida a levou exatamente para onde sempre deveria estar.

Encontro que mudou tudo

“Nasci em Cruzeiro do Oeste, mas vim ainda bem pequena para Catanduvas, com cerca de 5 anos. Quando me casei, me mudei para Curitiba, por volta de 1995. Dois anos depois, engravidei, e minha filha nasceu em 1997. Trabalhei como vendedora, dei aulas para crianças, atuei como atendente e também no ramo de confecção, em lojas, até seguir novos caminhos. Eu não conhecia o Hospital Pequeno Príncipe, só ouvia falar. Mas quando minha filha rompeu o menisco na aula de balé, nos encaminharam para cá, porque era referência, e foi muito bem-atendida. Lembro que entrei pelo César Pernetta e senti algo diferente, uma sensação difícil de explicar. Olhei tudo tão organizado, tão limpo, e pensei: ‘É aqui que quero trabalhar’.”

Escolha pelo destino

“Antes disso, uma amiga que já trabalhava aqui até tinha me convidado para fazer um currículo, mas eu dizia que não queria trabalhar em hospital, que tinha dó. Só que, naquele dia, tudo mudou. Cheguei em casa, comprei o papel, preenchi o currículo à mão e entreguei para ela trazer aqui. Depois de um tempo, começaram a me chamar, mas para outras áreas, e eu recusava, porque deixava bem claro que queria a higienização. Isso aconteceu algumas vezes. Meu marido até disse que eles não iam mais me chamar, mas eu acreditava que, se fosse para ser, daria certo. Até que um dia, me ligaram e disseram: ‘Dona Laurentina, hoje estamos chamando a senhora para a higienização. A senhora pode vir?’ Eu nem acreditei. Vim, fiz tudo o que precisava naquele dia mesmo e já comecei.”

Mais de 20 anos de dedicação

“Quando entrei, trabalhava em todos os setores. Comecei no quarto andar, depois fui para a cardiologia, em seguida para a infectologia, passei pela central de materiais e também pelo centro cirúrgico. Fiquei 20 anos na higienização. Chegaram a me chamar para a lavanderia antes, mas eu dizia que não queria sair, porque gostava muito do que fazia, principalmente o contato com as crianças. Faz cerca de um ano que estou na lavanderia e acabei gostando bastante também. Fui muito bem recebida aqui, e hoje me sinto feliz nesse novo setor. Posso dizer que minha vontade de trabalhar na higienização foi totalmente realizada: foram 20 anos dedicados a algo que eu nunca tinha feito antes e que acabou se tornando uma grande parte da minha vida.”

“O que me conforta é saber que estou fazendo o meu trabalho direito, ajudando quem precisa ficar bem. Isso é o que eu gosto: ver o resultado do cuidado.”

Laços que viraram família

“O que me conforta é saber que estou fazendo o meu trabalho direito, ajudando quem precisa ficar bem. Isso é o que eu gosto: ver o resultado do cuidado. Acho que eles também gostam de mim, tanto que acabei ganhando até ‘netos’. Uma vez, eu estava limpando, e algumas crianças chegavam com as mães e já me chamavam de ‘vovó’. Teve uma, a Renatinha, que entrou aqui com apenas 8 meses, quando estava na infecto. Ela me chamou de vovó, e ficou assim até hoje. Hoje ela já tem 12 anos e continua me chamando assim. Assim, ganhei ‘netos postiços’, porque não tenho netos de verdade ainda.”

Cuidado nos pijamas dobrados

“Levo os enxovais para o convênio e para o SUS. Depois retorno e começo a dobrar os pijaminhas — eu amo essa parte. Faço tudo com muito cuidado: separo por tamanho, dobro e coloco no pacotinho para as camareiras levarem. Hoje, não tenho tanto contato com crianças como antes, mas ainda tenho um pouco. Esses dias, por exemplo, vi um menininho. Ele me olhou, fez um gesto e depois me mostrou uma joaninha de brinquedo, dessas que grudam no dedo. Ele disse: ‘É para você.’ Eu peguei e colei no meu crachá. E ainda está comigo até hoje. Gosto muito deles. Acho que é por isso que, por onde eu passo, sempre tem esse carinho. Gosto muito de estar com as crianças, de brincar, de cuidar.”

Acolhimento pessoal

“Vejo o Hospital como uma instituição muito séria, com valores fortes, onde as coisas realmente funcionam e as pessoas são cuidadas com respeito. E sobre a minha filha, que foi o meu primeiro contato com o Hospital, ela foi atendida outras vezes também. Depois daquele primeiro atendimento, ela passou por cirurgia aqui, ainda quando eu já estava trabalhando no Hospital. Mais tarde, ela também precisou de atendimento por causa de uma cólica muito forte, dessas bem difíceis mesmo, e foi sempre foi muito bem-atendida.”

Movimento do dia a dia

“Adoro fazer pão, bolo, bolinho, canjica… tudo para a família e para dividir com os vizinhos. Também gosto de tomar chimarrão, fazer crochê, essas coisas que me deixam ocupada e feliz. Às vezes, fico o dia inteiro fazendo coisas em casa. Aí meu marido fala para eu parar um pouco e descansar. Eu até descanso um pouquinho, mas logo já levanto e vou fazer outra coisa. Tenho uma gata também, que eu amo muito. Gosto mesmo de estar fazendo coisas, isso é meu jeito. Agora, estou quase me aposentando. Ainda não sei exatamente como vai ser depois disso, mas penso em continuar mais um pouco se der. E penso sempre assim: aqui no Hospital, as pessoas não estão aqui por estar bem, elas estão aqui para melhorar. Então acho que tudo precisa de mais cuidado, mais atenção.”

Pertencimento e compromisso

“Para mim, o Hospital Pequeno Príncipe representa algo como se fosse da minha família. Fico 12 horas, depois vou embora, e no outro dia já estou de volta, contente. Não tenho preguiça de vir, nem em dia frio ou chuvoso. Sinto que esse é o meu lugar. O meu dia de trabalho é importante para mim. Quando entrei aqui, eu pensava que ficaria só um tempo, talvez um ou dois anos, porque nunca tinha trabalhado em hospital nem na higienização. Mas o tempo foi passando… e já são mais de 20 anos.”

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