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Projeto transforma sonhos em futuro para adolescentes com deficiência

“E se um dia eu for?” deu lugar ao “quando eu for”. É nessa mudança silenciosa, mas profundamente transformadora, que mora a essência do Projeto Construindo Futuros para PcDs. Desenvolvida no Centro de Reabilitação e Convivência Pequeno Príncipe (CRPP), a iniciativa oferece a adolescentes com deficiência não apenas capacitação profissional, e sim algo ainda mais valioso: a possibilidade concreta de imaginar o próprio futuro com autonomia, confiança e esperança.
Entre cursos, oficinas e acompanhamento especializado, jovens de 14 a 18 anos começaram a descobrir talentos, desenvolver habilidades e enxergar caminhos que antes pareciam distantes. E foi justamente nesse processo que muitos passaram a trocar o medo das limitações pela certeza de que podem, sim, construir uma carreira, realizar sonhos e ocupar seu espaço no mundo.
“Quisemos dar a eles a possibilidade de enxergar uma perspectiva de futuro — imaginar o futuro que desejam, começar a planejá-lo e, principalmente, acreditar que podem construí-lo. Queremos que eles passem a se ver com uma profissão, conquistando autonomia e ocupando o espaço que merecem na sociedade. Por isso, o projeto nasceu justamente com esse propósito: fazer com que eles entendam o quanto acreditamos no potencial de cada um e oferecer apoio, incentivo e confiança”, explica a psicóloga e gerente do CRPP, Patricia Bertolini.

O impacto do Projeto Construindo Futuros para PcDs
Dividido em duas etapas, o projeto — financiado por meio de doações — transformou espaços e vidas. A primeira fase contemplou melhorias estruturais no CRPP, com a troca do piso da fisioterapia, reformas no telhado e adequações que garantiram mais acessibilidade, conforto e segurança para os pacientes. Já a segunda etapa, iniciada em 2025, abriu caminho para algo ainda maior: o futuro desses jovens.
Dez adolescentes, entre 14 e 18 anos, participaram de um processo completo de orientação vocacional. A partir desse processo de dez sessões conduzidas por profissionais especializados, cada jovem pôde descobrir habilidades, talentos e possibilidades que talvez nunca tivesse imaginado alcançar. Assim, os adolescentes foram encaminhados para cursos profissionalizantes de acordo com seus interesses e aptidões.
E foi na gastronomia que muitos deles encontraram um novo brilho no olhar. Entre massas, coberturas, receitas e confeitos, eles descobriram autonomia, organização, criatividade e confiança. O método culinário, já utilizado terapeuticamente no CRPP, mostrou-se também uma poderosa ferramenta de desenvolvimento pessoal. O interesse foi tão grande que o projeto agora caminha para uma nova etapa: a reforma completa da cozinha terapêutica, que será adaptada especialmente para as crianças e adolescentes atendidos pela instituição.
Experiência transformadora
Foi nesse ambiente de troca, acolhimento e descobertas que profissionais da gastronomia também se envolveram de forma especial com os adolescentes atendidos pelo projeto. Entre eles, a confeiteira e professora de confeitaria Gislaine Diniz Benedito Lobo, formada em psicopedagogia, e seu esposo, Márcio Macedo Lobo, professor de Panificação, que acompanharam de perto a evolução dos jovens durante as oficinas.
“Amei participar desse projeto. Foram algumas aulas em que tivemos a oportunidade de conhecer cada jovem, ouvir um pouquinho das histórias deles e perceber que não se tratava apenas de ensinar receitas. Ali, eles demonstravam habilidades, falavam sobre sonhos, faziam perguntas, demonstravam curiosidade e começavam a enxergar que aquilo também poderia se tornar uma profissão e um futuro possível”, compartilha Gislaine.
Para ela, uma das coisas que mais marcou foi perceber o interesse deles além da sala de aula, o que tornou a experiência transformadora para todos os envolvidos. “Muitos praticavam em casa e voltavam contando como tinha sido, trazendo feedbacks, dúvidas, dificuldades e até novas ideias. Isso mostrava o quanto eles estavam realmente interessados, envolvidos e acreditando no próprio potencial”, complementa.

Quando o futuro passa a ser possível
Mas talvez a maior transformação apareça nas palavras das famílias. A mãe do jovem Yohran Diego Rauch Hoffman, de 14 anos, resumiu aquilo que o projeto representa: “Estamos tão presos no agora que muitas vezes esquecemos que o amanhã está chegando. Essa oportunidade nos encheu de esperança. O que antes ele dizia como ‘se um dia eu puder ser’, agora ele fala ‘quando eu for’. Hoje, ele acredita que pode ser um chef de cozinha. E nós também acreditamos”, disse Ana Caroline Rauch.
O depoimento emociona porque traduz um sentimento comum entre pais de crianças e adolescentes com deficiência: o medo do futuro. Entre terapias, consultas, desafios diários e inseguranças, muitas vezes sobra pouco espaço para sonhar. O Projeto Construindo Futuros para PcDs devolveu exatamente isto: a possibilidade de imaginar o amanhã.
Além dos cursos de culinária, alguns jovens também iniciaram formações em inglês, manutenção de celulares e preparação pré-vestibular. Cada trajetória foi construída de forma individual, respeitando habilidades, interesses e limites. Mas, acima de tudo, valorizando potencialidades, para que esses adolescentes entendam que podem ocupar espaços, fazer escolhas e construir histórias.