ATENÇÃO! Em caso de emergência, entre em contato com o SAMU (192). Além disso, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) dispõe de médicos e enfermeiros que prestam orientações, em casos de acidentes com animais peçonhentos e outras intoxicações, por meio do telefone 0800 644 6774.
Quais são os riscos de acidentes por contato com lagartas em crianças?

Com a chegada do calor, as áreas verdes se tornam espaços de lazer para muitas famílias. Mas, entre troncos de árvores e folhas aparentemente inofensivas, um perigo quase invisível também se espalha no verão: as lagartas. O contato com as cerdas pontiagudas desses insetos faz com que o veneno contido seja injetado na pele, podendo ocasionar acidentes graves, principalmente com crianças, que tendem a passar mais tempo ao ar livre.
O Brasil registrou mais de 26 mil acidentes com lagartas entre 2019 e 2023, sendo que uma em cada cinco vítimas tinha até 9 anos, segundo o Ministério da Saúde. “Crianças apresentam maior risco, pois têm maior carga de toxicidade em relação ao peso corporal, um sistema imune mais frágil e risco de sangramento grave. Além disso, elas têm dificuldade em relatar os sintomas de maneira precoce e maior chance de contato em brincadeiras”, explica a dermatologista pediátrica Flavia Prevedello, do Hospital Pequeno Príncipe.
Como identificar o acidente com lagarta em crianças?
Em cerca de 70% dos casos de erucismo — reação provocada pelo contato da pele com as cerdas das lagartas —, as mãos e os braços são as áreas mais atingidas. Os sinais aparecem logo após o contato:
- dor intensa;
- ardência/queimação;
- vermelhidão e inchaço;
- lesões tipo urticária.
Na maioria das ocorrências, o quadro evolui de forma favorável, sem complicações. No entanto, algumas espécies representam risco grave à saúde.
Quais são as lagartas mais perigosas no Brasil?
Os acidentes envolvem lagartas no estágio larval dos lepidópteros, divididos em duas famílias principais: as lagartas “cabeludas” (Família Megalopygidae), que possuem pelos longos e sedosos que escondem cerdas urticantes. E as lagartas “espinhudas” (Família Saturniidae), que contêm espinhos ramificados semelhantes a pequenos pinheiros e incluem o gênero Lonomia, responsável por acidentes hemorrágicos.
As lagartas do gênero Lonomia são as que apresentam maior relevância para a saúde pública. O veneno presente em suas cerdas pode provocar alterações na coagulação do sangue, levando a hemorragias graves, manchas roxas pelo corpo, sangramentos na gengiva e presença de sangue na urina. Em casos mais severos, o envenenamento pode causar insuficiência renal aguda e até levar à morte se não houver atendimento rápido.
O soro antilonômico é o único tratamento capaz de neutralizar os efeitos moderados e graves do veneno da Lonomia. O medicamento é oferecido gratuitamente pelo SUS desde 1996. O Brasil é o único país do mundo produtor do soro, desenvolvido pelo Instituto Butantan. “Há uma piora progressiva nas primeiras seis a 12 horas após o contato com a Lonomia”, alerta a dermatologista.
O que fazer em caso de acidente com lagarta em crianças?
Ao notar o contato com lagarta em crianças, a dermatologista orienta algumas ações:
- remova as cerdas com fita adesiva;
- lave o local com água e sabão;
- coloque uma compressa fria sobre o local para aliviar a dor;
- administre analgésico para dor;
- procure imediatamente uma unidade de pronto atendimento;
- fotografe ou informe ao profissional de saúde o máximo possível de características, como tipo, cor e tamanho.
“O que não se deve fazer é: esfregar o local ou aplicar qualquer substância na área da picada. Nesse caso, não se deve usar álcool nem vinagre, não fazer torniquete, não realizar sucção ou incisões e não administrar anti-inflamatórios nem aspirina, devido ao risco de sangramento, caso se trate de um acidente de Lonomia”, recomenda a especialista.
Como prevenir acidente com lagarta?
O aumento dos casos está associado a fatores como desmatamento, queimadas e desequilíbrio ambiental, que aproximam esses animais das áreas urbanas. Para reduzir o risco:
- observe troncos, folhas e galhos antes de tocá-los;
- não toque em lagartas, mesmo mortas, pois as toxinas permanecem nas cerdas;
- use luvas ao manusear vegetação;
- evite as áreas de risco de surtos de lagartas;
- redobre a atenção em parques, quintais e áreas arborizadas.
O Pequeno Príncipe é participante do Pacto Global desde 2019. E a iniciativa presente nesse conteúdo contribui para o alcance do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS): Saúde e Bem-Estar (ODS 3).