Suspensão de medicamento por fabricante pode comprometer até 70% dos transplantes de medula óssea realizados no Pequeno Príncipe - Hospital Pequeno Príncipe

Notícias

Suspensão de medicamento por fabricante pode comprometer até 70% dos transplantes de medula óssea realizados no Pequeno Príncipe

Maior hospital pediátrico do país foi responsável por 65,5% dos procedimentos em crianças e adolescentes no PR, primeiro estado brasileiro em número de TMO por milhão de pacientes
14/01/2021

Um dos centros mais ativos na realização de transplante de medula óssea (TMO) pediátrico do país, o Pequeno Príncipe, com sede em Curitiba (PR), alerta sobre o impacto que o desabastecimento do medicamento bussulfano, que deixará de ser distribuído em junho deste ano no Brasil, também vai causar a pacientes de doenças raras. Responsável por 61 dos 534 procedimentos pediátricos realizados em 2019 no país, o Hospital prevê que 70% de seus transplantes deixariam de ser feitos devido à falta do remédio.

A suspensão na distribuição do bussulfano foi anunciada em novembro de 2020, pelo laboratório francês Pierre Fabre, único distribuidor do medicamento no país. Muito associado ao tratamento oncológico, o TMO é também a única esperança de vida para pessoas com diversas doenças raras.

Referência nacional em doenças raras, o Pequeno Príncipe contabiliza 40% de seus procedimentos para o tratamento de imunodeficiência e erros inatos do metabolismo como a imunodeficiência combinada grave, também conhecida como doença da bolha. Nesse caso, em que ocorre uma alteração no sistema imunológico do paciente, o transplante de medula óssea é a única opção para que a criança tenha uma chance de viver. A estimativa é que, sem o transplante de medula, 98% dos bebês diagnosticados com essa síndrome possam morrer antes dos 2 anos de idade.

O TMO trata doenças malignas e não malignas, como as leucemias, linfomas, mieloma múltiplo, neuroblastoma, imunodeficiências, falências medulares, entre outras. Em 2019, o Pequeno Príncipe foi o principal transplantador pediátrico do Paraná. Com 93 procedimentos, o estado foi o que mais realizou TMO por milhão de habitantes. O Hospital foi responsável por 65,5% desses transplantes. Atualmente, 52 crianças e adolescentes esperam por um transplante de medula óssea no Pequeno Príncipe. “Utilizamos o medicamento em cerca de 70% dos transplantes de medula óssea feitos no Hospital. Mas essa não é uma realidade somente da nossa instituição. Se não resolvermos esta situação, todo o transplante de medula óssea realizado no país estará comprometido, e muitos pacientes brasileiros não poderão mais receber este tratamento. Atualmente não existe outro medicamento que substitua o bussulfano”, considera a chefe do Serviço de TMO do Pequeno Príncipe, Carmem Maria Sales Bonfim.

Ciente da urgência de solução que a situação exige, o Pequeno Príncipe se une às vozes de organizações, profissionais de saúde e pacientes que estão mobilizando-se em todo o território nacional. Diante da informação de que o Instituto Nacional do Câncer (Inca) conta com estoque que pode durar somente três meses, a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia, a Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO) e a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope) também manifestaram preocupação como a inviabilidade de realizar qualquer transplante de medula óssea no país, seja adulto ou pediátrico, caso não haja nenhuma medida para impedir a interrupção do acesso ao bussulfano ou alguma alternativa seja encontrada brevemente.

TMO no Pequeno Príncipe
O Serviço de Transplante de Medula Óssea do Pequeno Príncipe foi inaugurado em 2011 e passou a ser ofertado dentro do Serviço de Oncologia, que já funcionava desde 1968. Em dezembro de 2016, o número de leitos de TMO foi ampliado e mais que triplicou – de três para dez –, referenciando o Hospital como um dos maiores centros pediátricos do país para a realização do procedimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Desde sua implantação foram realizados 225 transplantes. Em 2020, mesmo durante a pandemia, 52 procedimentos foram contabilizados.

+ Notícias

05/06/2026

Saúde Única: por que saúde humana, animal e ambiental estão conectadas?

No Complexo Pequeno Príncipe, essa visão orienta iniciativas que buscam promover saúde com compromisso com as futuras gerações
02/06/2026

18.ª Noite dos Chefs celebra solidariedade em prol da saúde infantojuvenil

O evento se consolidou como uma das mais tradicionais iniciativas beneficentes da instituição
01/06/2026

Cor da secreção nasal: o que pode indicar em crianças e adolescentes

Mudanças no aspecto do muco podem sinalizar desde irritações simples até infecções respiratórias
25/05/2026

Misoginia na adolescência: o papel da família e da educação na prevenção

O diálogo aberto e a educação emocional desde a infância promovem a construção de relações mais saudáveis, baseadas no respeito, na empatia e na igualdade de gênero
18/05/2026

Violência atinge principalmente a primeira infância 

Levantamento do Hospital Pequeno Príncipe aponta que maioria das crianças atendidas tem até 6 anos; saiba como agir e proteger
07/05/2026

Quando é indicada medicação para TDAH em crianças e adolescentes?

Principais opções, funcionamento e efeitos do medicamento
Ver mais