Saiba mais sobre a trajetória de Mariana de Poli Soccoloski

“Eu tinha apenas 3 anos de idade quando um simples exame de sangue mudou completamente a vida da minha família. Após muitos exames e internamentos, recebi o diagnóstico de leucemia linfoide aguda (LLA). Eu era pequena demais para entender tudo o que estava acontecendo, mas minha família iniciou uma verdadeira corrida contra o tempo. Foram meses de internamentos, quimioterapias, medicamentos e muitos desafios. Mesmo sendo muito pequena, algumas lembranças permanecem vivas na minha memória. Lembro das punções que eu precisava fazer e de como, durante aqueles momentos, eu olhava para o teto e para as paredes e via os bichinhos desenhados que pareciam rodar. Aqueles desenhos faziam parte do meu mundo de criança e, sem que eu entendesse, tornavam aquele momento tão difícil um pouco mais leve. Atualmente, estou estudando Psicologia e consigo compreender ainda mais a importância desse cuidado humanizado. Na época, eu via apenas bichinhos no teto. Hoje, vejo profissionais que pensaram em cada detalhe para que uma criança pudesse enfrentar o medo com mais acolhimento e leveza. Minha mãe sempre conta que houve dias em que eu quase não conseguia me alimentar e ela passava madrugadas inteiras tentando me dar pequenas colheradas de comida. Quando meu cabelo começou a cair, ela procurou transformar aquele momento difícil em algo mais leve dizendo que eu ficaria parecida com meu priminho, que também era carequinha. São lembranças que mostram o quanto o amor esteve presente durante todo o tratamento. Durante toda essa caminhada, fui acompanhada por profissionais que marcaram profundamente a minha vida. Tenho um carinho muito especial por todos que acompanharam minha evolução com tanto cuidado. Também guardo muita gratidão pelos enfermeiros, técnicos de enfermagem, residentes e toda a equipe. Mesmo sendo criança, eu me sentia acolhida. E sei que cada gesto de carinho, cada palavra de incentivo e cada cuidado fizeram toda a diferença para mim e para a minha família. Graças a Deus, ao amor da minha família, ao apoio de todos os profissionais e a todo o cuidado que recebi, fui curada. Hoje, tenho 22 anos e posso dizer que não apenas sobrevivi, eu floresci.”
De paciente a futura psicóloga
“O mais bonito é que a minha história com o Hospital Pequeno Príncipe não terminou quando recebi alta. Em 2022 e 2023, tive a oportunidade de retornar à instituição como jovem aprendiz. Foi uma experiência muito emocionante, pois dessa vez eu estava do outro lado, podendo contribuir, acolher pessoas e retribuir, de alguma forma, todo o cuidado que um dia recebi ali. Caminhar novamente pelos corredores já não era mais motivo de medo, mas de gratidão. Poder fazer parte do lugar que ajudou a salvar a minha vida foi um dos momentos mais especiais de minha trajetória. Nossa família sempre manteve um vínculo muito especial com o Hospital Pequeno Príncipe. Antes mesmo de eu ingressar na graduação, minha irmã cursou Psicologia na Faculdades Pequeno Príncipe, o que fortaleceu ainda mais o carinho e a admiração que sempre tivemos pela instituição. Em 2023, chegou a minha vez de iniciar a graduação em Psicologia na Faculdades Pequeno Príncipe. Essa escolha foi profundamente influenciada pela minha própria história. Crescer cercada por profissionais tão humanos, competentes e acolhedores despertou em mim o desejo de também cuidar de pessoas. Estou no sétimo período de Psicologia e, se Deus permitir, em 2027 me formarei. Meu maior desejo é poder retribuir, por meio da minha profissão, parte do cuidado que um dia recebi. Quero acolher, inspirar e ajudar outras pessoas, assim como tantas pessoas fizeram por mim ao longo da minha caminhada. Olhando para trás, percebo que minha história é muito maior do que a cura de uma doença. Ela fala sobre esperança, sobre o poder da ciência, sobre o amor de uma família e sobre profissionais que escolheram cuidar com excelência e humanidade. O Pequeno Príncipe não cuidou apenas da minha saúde, cuidou da minha infância, acolheu a minha família e, sem imaginar, também ajudou a construir a profissional que estou me tornando hoje. Tenho uma gratidão imensa por fazer parte dessa história, e o Hospital fará parte da minha trajetória para sempre. Espero que o meu relato possa levar esperança às famílias que hoje estão enfrentando uma batalha semelhante. Às vezes, o caminho parece impossível, mas eu sou prova de que recomeços existem. A minha história mostra que, quando a ciência caminha junto com o amor, a dedicação e a humanização, vidas são transformadas. Muito obrigada a todos os profissionais que fizeram parte da minha caminhada. Vocês talvez não imaginem, mas deixaram marcas que permanecem até hoje. Tenho muito orgulho de dizer que cresci junto com essa história e que, de alguma forma, ela continua sendo escrita todos os dias na minha vida. Espero que, em breve, como psicóloga, eu possa fazer por outras pessoas um pouquinho do que vocês fizeram por mim.”
Mariana de Poli Soccoloski é ex-paciente do Hospital Pequeno Príncipe. Diagnosticada aos 3 anos de idade com leucemia linfoide aguda (LLA), realizou o tratamento com a equipe do Serviço de Oncologia e Hematologia da instituição. Hoje, aproximadamente 17 anos após sua última sessão de quimioterapia, é graduanda do curso de Psicologia na Faculdades Pequeno Príncipe.