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Transtorno de conduta na infância e adolescência: como identificar?

O transtorno de conduta (TC) na infância e adolescência representa uma condição de saúde mental que vai muito além da chamada “rebeldia”. Esse transtorno se manifesta por meio de um padrão persistente e repetitivo de comportamentos nos quais a criança ou o adolescente viola os direitos dos outros e as normas sociais básicas. Por isso, o diagnóstico precoce e a intervenção adequada são fundamentais para reduzir impactos familiares, escolares e sociais.
Como identificar o transtorno de conduta na infância e adolescência?
O transtorno de conduta se caracteriza por comportamentos frequentes como:
- agredir pessoas ou animais;
- destruir propriedades;
- mentir;
- furtar;
- violar gravemente regras, como faltar repetidamente à escola;
- não demonstrar empatia após causar sofrimento ou dano.
A psiquiatra e responsável pelo Serviço de Psiquiatria do Hospital Pequeno Príncipe, Luciana Gusmão, reforça que esses comportamentos não ocorrem de forma isolada. Ou seja, eles formam um padrão contínuo com prejuízo significativo do funcionamento da criança ou do adolescente. “Diferentemente das birras ocasionais e desafios pontuais, as quais fazem parte do desenvolvimento típico”, complementa.
O quadro se torna patológico quando a agressão vira regra e, principalmente, quando a criança ou o adolescente não demonstra remorso. “Costumo usar a metáfora do ‘sinal de alerta’: se a criança ou o adolescente não se sensibiliza com o sofrimento do outro e não demonstra empatia após um ato grave, os responsáveis devem ligar esse sinal imediatamente”, exemplifica a psiquiatra.
Quais são os níveis de gravidade no transtorno de conduta?
A classificação da gravidade é essencial para direcionar o tratamento. Afinal, quanto mais precoce a intervenção, maiores as chances de reduzir a progressão do quadro.
- Nível leve: atos como mentiras e desobediência.
- Moderado: atos como vandalismo e furtos sem confronto.
- Grave: atos que colocam a vida em risco, como uso de armas e crueldade física.
A especialista explica que, na psiquiatria infantil, evita-se o rótulo de “psicopatia”, preferindo-se falar em “traços de insensibilidade” e “falta de emoção”. “Esses jovens apresentam uma ausência profunda de remorso e, muitas vezes, manipulação cínica das situações. Identificar esses traços precocemente é fundamental, pois eles têm um risco elevado de desenvolver transtorno de personalidade antissocial (Tpas) na vida adulta”, alerta.
O TOD pode transformar-se em TC?
Sim. De acordo com a psiquiatra, é importante pensar nisso como uma “escada” de gravidade. O transtorno opositivo desafiador (TOD) foca no desafio à autoridade, na teimosia e na irritabilidade, mas sem a violação grave de direitos alheios. “Cerca de 30% dos casos de TOD podem evoluir para o TC se não houver uma intervenção adequada. Por isso, no Hospital, tratamos o TOD com um rigor preventivo, visando interromper esse ciclo”, diz.
Intervenção precoce e tratamento
A especialista pontua que é essencial a família buscar reabilitação e manejo clínico ao perceber os sinais de alerta. A abordagem ideal é multiprofissional, envolvendo psiquiatria, psicologia e outras áreas da saúde. Nesse sentido, o tratamento é multimodal e pode incluir:
- manejo parental: treinamento de pais para estabelecer limites consistentes e fortalecer vínculos saudáveis;
- psicoterapia: ajuda no controle de impulsos, desenvolvimento de empatia e habilidades sociais;
- farmacoterapia: indicada para controlar a impulsividade, agressividade ou tratar comorbidades, por exemplo o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).
Como prevenir o transtorno de conduta na infância e adolescência?
A prevenção começa na primeira infância com educação emocional. Desta forma, algumas estratégias preventivas incluem ensinar empatia e incentivar o respeito ao próximo desde cedo. “Além disso, o tratamento precoce do TOD e do TDAH reduz significativamente o risco de evolução para quadros mais graves. A violência física e um ambiente hostil também são fatores de risco para o transtorno de conduta”, finaliza.
O Pequeno Príncipe é participante do Pacto Global desde 2019. E a iniciativa presente neste conteúdo contribui para o alcance do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS): Saúde e Bem-Estar (ODS 3).