Sarampo em crianças

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Por que o sarampo voltou a preocupar?

Mesmo com vacina segura e eficaz disponível, o aumento expressivo de casos reforça a importância da vacinação, principalmente em crianças
26/03/2026
sarampo em crianças
Uma pessoa infectada com sarampo pode transmitir para 90% das pessoas próximas que não estejam imunes.

O sarampo voltou a acender um sinal de alerta nas Américas. Apenas em dois meses de 2026, o continente americano detectou quase metade de todos os casos do ano passado. Mesmo com vacina segura e eficaz disponível, o aumento expressivo de ocorrências reforça a importância da vacinação, principalmente em crianças. Afinal, essa é uma das doenças mais contagiosas do mundo.

Por que o sarampo voltou a preocupar?

O continente americano enfrenta um cenário preocupante em relação à disseminação da doença. Em 2025, foram registrados 14.891 casos em 14 países, resultando em 29 mortes. Já em 2026, até o dia 5 de março, foram confirmadas 7.145 infecções, indicando um avanço significativo no número de casos.

Em 2025, o Brasil teve 38 casos, mas sem transmissão interna sustentada. Por isso, o país ainda mantém o status de área livre de sarampo, que foi reconquistado em 2024. Entretanto, neste ano, houve o primeiro caso em uma bebê infectada após viagem à Bolívia.

E com o grande fluxo de turistas em países com situação mais grave de sarampo e que receberão a Copa do Mundo FIFA em junho e julho, como Estados Unidos, México e Canadá, pode aumentar o risco de disseminação. Nesse sentido, a imunização é a principal forma de prevenção.

O que é o sarampo?

O sarampo é uma doença infectocontagiosa, uma das mais contagiosas dentro das exantemáticas, ou seja, que causam erupções cutâneas. A etiologia é viral, de altíssima transmissibilidade por via respiratória, seja ao falar, tossir ou espirrar. De acordo com o Ministério da Saúde, uma pessoa infectada pode transmitir para 90% das pessoas próximas que não estejam imunes.

“O sarampo é realmente um indicador de qualidade vacinal e de adesão às vacinas, porque é muito transmissível. Então, quando começam a aparecer casos, mostra uma baixa cobertura vacinal”, ressalta a pediatra e coordenadora do Centro de Vacinas Pequeno Príncipe, Heloisa Ihle Garcia Giamberardino.

Não existe um medicamento específico para curar o sarampo — o manejo é voltado apenas para o alívio dos sintomas. Lembrando que o mais importante é a orientação pediátrica para avaliação de cada caso.

Sinais de alerta do sarampo em crianças

A partir do momento em que se tem contato com alguém com sarampo, pode-se levar em torno de 7 a 14 dias para começar o surgimento dos sintomas, como:

  • febre alta (acima de 38,5°C);
  • manchas vermelhas;
  • conjuntivite não purulenta;
  • coriza, tosse e secreção.

Além disso, o infectologista pediátrico Victor Horácio, do Hospital Pequeno Príncipe, pontua que o diagnóstico clínico não é difícil de ser feito. “E o sarampo tem uma particularidade ainda, na qual 72 horas antes do aparecimento do rash cutâneo você vê um salpicado esbranquiçado, que são as manchas de Koplik, dentro da boca do paciente”, destaca.

Quais são as complicações do sarampo em crianças?

O sarampo tem uma série de complicações. Segundo o Ministério da Saúde, as mais comuns em crianças são:

  • pneumonia (infecção no pulmão): uma em cada 20 crianças com sarampo pode desenvolver pneumonia, causa mais comum de morte por sarampo nos pequenos;
  • otite média aguda (infecção no ouvido): ocorre em uma a cada dez crianças com sarampo e pode resultar em perda auditiva permanente;
  • encefalite aguda (inflamação no cérebro): uma a quatro em cada mil crianças podem desenvolver essa complicação, e 10% delas podem morrer;
  • morte: uma a três a cada mil crianças doentes podem falecer em decorrência de complicações da doença.

Entretanto, o especialista alerta sobre a panencefalite esclerosante subaguda (PEES), uma doença neurodegenerativa progressiva e fatal, rara, causada por uma infecção persistente e mutante do vírus do sarampo. “O que observamos, por exemplo, no surto de sarampo ocorrido na região do Texas, nos Estados Unidos, com mais de 380 casos, é que os quatro óbitos registrados em crianças foram de pacientes não vacinados. Então, se você está vacinado contra o sarampo, você está protegido”, salienta.

Vacina contra o sarampo

Em 2025, 92,5% dos bebês tomaram a primeira dose da vacina, mas apenas 77,9% completaram o esquema no prazo correto. A recomendação é de que todas as pessoas até 59 anos, sem comprovação de duas doses, devem vacinar-se para garantir proteção.

O esquema de vacinação contra o sarampo no Brasil, via Programa Nacional de Imunizações (PNI), baseia-se na aplicação de duas doses da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), sendo a primeira aos 12 meses e a segunda (geralmente tetraviral) aos 15 meses de idade.

Quem já recebeu as duas doses na infância não precisa revacinar-se. E o imunizante é contraindicado para gestantes e pessoas imunocomprometidas. “A vacina é segura, tranquila e bem-tolerada, sem praticamente nenhuma reação adversa. O sarampo é uma doença de fácil controle com vacinação. Vacinados não pegam o sarampo”, finaliza Heloisa.

O Pequeno Príncipe é signatário do Pacto Global desde 2019. A iniciativa presente nesse conteúdo contribui para o alcance do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS): Saúde e Bem-Estar (ODS 3).

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