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Como diferenciar o bicho-de-pé e o bicho geográfico?

Apesar de serem confundidos com frequência, bicho-de-pé e bicho geográfico são doenças diferentes, com causas, sintomas e tratamentos distintos. Entender isso ajuda a identificar o problema rapidamente e buscar o tratamento correto, especialmente em crianças.
Bicho-de-pé: o que é?
O bicho-de-pé é causado pela pulga Tunga penetrans, encontrada principalmente em solo arenoso e úmido. Quando a pessoa pisa descalça em terreno contaminado, a pulga penetra na pele, geralmente na planta do pé, e forma uma lesão. “Ele não é transmitido de uma pessoa para outra nem de um animal para outro. Ou seja, a pulga está presente no ambiente”, explica a dermatologista pediátrica Nadia Almeida, do Hospital Pequeno Príncipe.
Principais sintomas
Os sintomas são os mesmos em bebês, criança e adultos, como:
- lesão arredondada;
- ponto preto no centro;
- região amarelada ao redor (“batata”);
- coceira intensa.
Segundo Nadia, a complicação mais comum acontece, por exemplo, quando há uma infestação múltipla. Isso pode formar crostas e criar uma porta de entrada para bactérias, favorecendo uma infecção. “Outra situação é quando a pessoa tenta tratar em casa, sem as medidas adequadas, e acaba abrindo a pele. Portanto, não é o bicho-de-pé em si que causa o maior problema, mas sim a infecção secundária”, alerta.
Tratamento
O tratamento consiste na retirada da pulga que aparece na pele. A dermatologista reforça que essa remoção deve ser feita em ambiente médico, não em casa. É fundamental ter diagnóstico confirmado, pois mexer em uma lesão sem saber exatamente do que se trata pode piorar o quadro. Além disso, o procedimento precisa ser realizado com instrumentos estéreis, para evitar a principal complicação, que é a infecção.
Quanto à cicatrização, ela costuma ser rápida: em dois a três dias, a lesão geralmente já está cicatrizada. Nos casos em que há múltiplas lesões, podem ser utilizados medicamentos antiparasitários, fazendo com que o agente seque e seja eliminado pelo organismo. Já o uso de antibiótico não é o tratamento principal, pois só é indicado caso haja complicação, como infecção da lesão.
Bicho geográfico: o que é?
O bicho geográfico, também chamado de larva migrans cutânea, é causado por larvas de parasitas presentes nas fezes de cães e gatos. Os ovos do parasita são eliminados e contaminam a areia de praias, parquinhos infantis, quintais e solos úmidos. Ao entrar em contato com a pele, a larva penetra e começa a mover-se sob a pele. É comum em pés, mãos, nádegas e qualquer área que tenha contato com areia contaminada.
Principais sintomas
Os sintomas são os mesmos em bebês, criança e adultos, como:
- lesão em forma de linha ou caminho;
- aspecto avermelhado e elevado;
- sensação de algo “andando” na pele;
- coceira intensa.
Tratamento
O quadro pode ser autolimitado, mas o tratamento acelera a cura e reduz o desconforto. “O parasita não vai sobreviver muito tempo na pele humana. Os medicamentos antiparasitários [via oral ou pomada] devem ser prescritos por um pediatra”, explica a dermatologista pediátrica Flavia Prevedello, do Hospital Pequeno Príncipe.
Como prevenir o bicho-de-pé e o bicho geográfico?
- Evite que a criança brinque com areia suspeita de contaminação, principalmente onde há circulação de gatos e cachorros, especialmente filhotes.
- Use calçados fechados e evite andar descalço, principalmente em áreas de risco.
- Higienize bem os pés e seque-os adequadamente.
- Busque a orientação de um pediatra em caso de sinais como coceira localizada ou lesões.
Como diferenciar o bicho-de-pé e o bicho geográfico?
| Característica | Bicho-de-pé | Bicho geográfico |
| Causa | Pulga | Larva de parasita |
| Lesão | Bolinha arredondada | Linha em forma de caminho |
| Movimento | Fica parado | Movimenta-se sob a pele |
| Coceira | Intensa | Intensa |
| Tratamento | Retirada da pulga | Medicamento antiparasitário |
| Local mais comum | Planta do pé | Qualquer área que tocou areia |
O Pequeno Príncipe é participante do Pacto Global desde 2019. E a iniciativa presente neste conteúdo contribui para o alcance do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS): Saúde e Bem-Estar (ODS 3).