Nos primeiros anos, o organismo da criança passa por um processo gradual de desenvolvimento das defesas naturais. Por isso, cuidados básicos são fundamentais.
Muito se fala sobre a importância de “não criar o bebê em uma redoma”, permitindo que ele tenha contato com o ambiente para fortalecer o sistema imunológico. Mas, afinal, até que ponto a exposição à sujeira é benéfica? Existe risco quando esse contato acontece cedo demais?
A ideia de que o bebê precisa “pegar sujeira para criar resistência” não se aplica aos primeiros meses de vida. Nessa fase, o organismo ainda está amadurecendo e necessita de proteção. Por outro lado, também não é necessário viver com medo constante. O caminho mais seguro é o equilíbrio: higiene adequada, contato gradual com o ambiente e acompanhamento pediátrico.
“O sistema imunológico da criança precisa conhecer o mundo para aprender a se defender, mas isso deve acontecer em um ambiente limpo e seguro, não completamente estéril”, alerta o infectologista pediátrico Victor Horácio, do Hospital Pequeno Príncipe.
Sistema imunológico do bebê
Ao nascer, o bebê ainda não teve contato com microrganismos do ambiente. Sua principal proteção vem dos anticorpos maternos transferidos durante a gestação, protegendo contra doenças que a mãe já pegou ou foi vacinada. Além disso, o leite materno também exerce papel fundamental nesse processo de proteção, pois contém diversos fatores de defesa que ajudam a proteger o bebê e a modular a microbiota intestinal.
Entre 3 e 6 meses de vida, ocorre uma redução gradual desses anticorpos maternos, enquanto o organismo da criança ainda não produz os seus em quantidade suficiente. “É o período que chamamos de janela de vulnerabilidade imunológica. Por isso, é uma fase em que infecções respiratórias e gastrointestinais podem ocorrer com maior frequência, o que reforça a importância das vacinas do calendário infantil”, afirma o especialista.
A partir dos 6 meses, o sistema imunológico começa a amadurecer progressivamente. O bebê passa a produzir anticorpos próprios, e o contato com vírus e bactérias do ambiente ajuda a estimular esse desenvolvimento.
Entre 1 e 3 anos de idade, o sistema imunológico se torna mais maduro, embora continue evoluindo ao longo da infância.
Exposição à sujeira fortalece a imunidade?
Segundo o infectologista pediátrico, existe uma base científica para a chamada hipótese da higiene, proposta por David Strachan, a qual sugere que crianças expostas a uma maior diversidade de microrganismos desde cedo desenvolvem uma melhor regulação do sistema imunológico, com menor risco de asma, rinite alérgica e dermatite atópica, por exemplo. “Isso ocorre pois o contato com o microrganismo ambiental ajuda o sistema imunológico a aprender a distinguir as ameaças que são reais de substâncias que são inofensivas”, explica.
O contato natural com ambiente e pessoas ajuda no amadurecimento imunológico, e a falta de higiene e a exposição a patógenos aumentam o risco de infecções.
Entre as exposições consideradas positivas estão o convívio com outras crianças, brincadeiras ao ar livre, contato com plantas e natureza e presença de animais domésticos. No entanto, isso não significa que quanto mais sujeira, melhor. Sujeira contaminada não fortalece o sistema imunológico. A exposição a ambientes contaminados pode aumentar o risco de gastroenterite, parasitoses, leptospirose e outras doenças.
Proteção necessária nos primeiros meses de vida
O neonatologista Luiz Renato Valério, do Hospital Pequeno Príncipe, esclarece que os primeiros meses de vida exigem ainda mais atenção com higiene, circulação de pessoas e exposição a possíveis agentes infecciosos.
Entre as principais recomendações estão:
evitar que o bebê passe de colo em colo;
restringir visitas, principalmente de pessoas com sintomas gripais;
usar máscara em casos de manifestações respiratórias;
manter a higiene frequente das mãos antes de tocar na criança;
cuidar da limpeza de roupas, superfícies e objetos usados pelo bebê; e
evitar levar o recém-nascido a festas, eventos ou locais cheios.
A higiene das mãos, com água e sabonete e, quando indicado, álcool 70%, é uma das medidas mais eficazes para prevenir infecções.
Bebês podem conviver com animais?
A convivência com animais de estimação deve ser cuidadosa, principalmente no início da vida. O ideal é manter certa distância e garantir que o ambiente esteja limpo, reduzindo riscos de contaminação. Com o crescimento da criança e orientação pediátrica, essa interação pode ser ampliada de forma segura.
Primeiras descobertas e exposição do bebê
O contato natural com ambiente e pessoas ajuda no amadurecimento imunológico.
A partir dos 6 meses de idade, quando o bebê começa a sentar com apoio, engatinhar e explorar o espaço ao redor, é possível permitir um contato mais ativo com o ambiente, sempre com supervisão.
Brincar no chão, tocar a grama ou explorar o quintal pode ser saudável, desde que: o local esteja limpo, livre de lixo e não haja fezes de animais ou risco de contaminação.
A exposição à natureza é diferente de exposição a ambientes contaminados. O contato com terra, areia limpa e espaços ao ar livre pode contribuir para o desenvolvimento imunológico e sensorial da criança. Ainda assim, após as brincadeiras, a higiene das mãos deve ser mantida como rotina.
O bebê precisa ou não entrar em contato com o mundo para desenvolver imunidade?
O sistema imunológico em desenvolvimento precisa de estímulos microbianos variados para aprender a responder adequadamente. Desse modo, quando há pouca exposição microbiana, o sistema imune pode tornar-se mais reativo a substâncias que são inofensivas e aumenta, às vezes, até a tendência a respostas alérgicas. “Por exemplo, um ambiente totalmente esterilizado pode favorecer alergias quando o bebê é exposto”, finaliza o infectologista.
De acordo com o neonatologista, o equilíbrio é fundamental. “Os cuidados são muito importantes, porém não devem se transformar numa neurose. O bebê precisa ser iniciado para viver em um mundo real, com contato gradual e seguro com o ambiente”, realça.
Vacinação, amamentação e hábitos saudáveis
A construção de uma boa imunidade não depende apenas do contato com o ambiente. Ela é resultado de um conjunto de fatores.
Aleitamento materno, que transfere anticorpos e fortalece a proteção natural.
Alimentação equilibrada durante a introdução alimentar.
As vacinas funcionam como um “treinamento seguro” para o sistema imunológico, preparando o organismo para reagir de forma eficiente contra doenças potencialmente graves.
O Pequeno Príncipe é signatário do Pacto Global desde 2019. A iniciativa presente nesse conteúdo contribui para o alcance do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS): Saúde e Bem-Estar (ODS 3).
Acompanhe também as redes sociais do Hospital Pequeno Príncipe (Facebook, Instagram, LinkedIn, X, YouTube e TikTok) e fique por dentro de informações de qualidade!
Coletamos Cookies* (pequenos pedaços de informações armazenados no seu computador) para verificar quem você é. Alguns desses cookies são usados para autenticação do Usuário e outros para conveniência, para ‘lembrar’ de você e suas preferências, seja para uma única visita (por meio de um ‘cookie de sessão’) ou para várias visitas repetidas (usando um ‘cookie persistente’). *Cookie: arquivo colocado em seu computador para rastrear movimentos dentro do site, como visitas as páginas e anúncios. Cookies não armazenam informações pessoais sem que você as tenha fornecido e não coletam informações registradas em seu computador.
Cookies Necessários são os cookies essenciais para fazer com que o nosso site funcione corretamente, permitindo que o Usuário navegue e utilize o site com todas as suas funcionalidades. A recusa desses cookies implica em não funcionamento de parte do site.
Cookies de Redes Sociais permitem que o Usuário acesse nossas campanhas e plataformas de doação a partir de links e leads lançados em nossas plataformas sociais e, após o término da respectiva campanha, permitem que o PEQUENO PRÍNCIPE faça o retarget dos potenciais doadores buscando nova arrecadação de doações.
Cookies de Desempenho são os cookies que permitem entender como o usuário interage com o site, fornecendo informações sobre as áreas visitadas, o tempo gasto no site e eventuais problemas encontrados. Esses cookies ajudam a melhorar o desempenho do site e não identificam o usuário, sendo todos os dados coletados e agregados anonimamente.
Cookies de Conveniência permitem que nosso site lembre das escolhas feitas pelo Usuário, facilitando o acesso e utilização da nossa plataforma em uma próxima oportunidade. Esses cookies podem coletar informações pessoais divulgados pelo próprio usuário e expiram aproximadamente após um ano de sua armazenagem.