Por que é importante não reprimir o choro?

Notícias

Por que é importante não reprimir o choro?

Hospital Pequeno Príncipe dá dicas de como criar um ambiente seguro e acolhedor para crianças e adolescentes expressarem as emoções
10/07/2024
Por que é importante não reprimir o choro?
Reprimir o choro pode impactar em níveis de estresse potencialmente danosos para a saúde física e mental. Por isso, cabe aos pais e cuidadores acolher as expressões de emoções.

A expressão de emoções é um ato espontâneo do ser humano. Ao nascer, o choro tem uma função anterior à comunicação – é uma via para manifestar desconforto e permite respirar, ou seja, é primordial para a sobrevivência. Durante a vida, outras diferentes manifestações passam a fazer parte e são aprimoradas no processo de amadurecimento. Entre elas, a linguagem oral, corporal, escrita, projeções, entre outras. No entanto, reprimir o choro de crianças e adolescentes pode ter impactos profundos na saúde mental. Isso porque essa é uma das formas de comunicar-se melhor e expressar-se honestamente nas relações.

Quais são os impactos de reprimir o choro em crianças e adolescentes?

O choro é uma explosão decorrente de emoções genuínas. Por isso, reprimi-lo pode gerar  tensionamento interno, impactando em níveis de estresse potencialmente danosos para a saúde física e mental. “Reprimir o choro repetidamente pode levar ao aprendizado de que a expressão das emoções é algo negativo. Isso resulta em funcionamento psíquico contido e, por vezes, em estados de solidão e angústia”, explica a psicóloga e coordenadora do Serviço de Psicologia do Hospital Pequeno Príncipe, Angelita Wisnieski da Silva.

A expressão das emoções, além de proporcionar alívio, tem a função de comunicar ao meio externo o que a pessoa está sentindo, impactando diretamente as relações. Por meio do choro, o organismo libera substâncias químicas que ajudam a reduzir o estresse e aliviar as  dores físicas e emocionais. Além disso, chorar faz a pessoa respirar fundo e oxigenar melhor o cérebro, o que colabora na reorganização neuroquímica.

Como criar um ambiente seguro para expressar as emoções?

A expressão das emoções deve ser acolhida como algo natural e humano. Deste modo, os pais e cuidadores devem estar atentos a não invalidar, repreender ou ridicularizar as expressões. “Além disso, é benéfico que os adultos se permitam manifestar também suas emoções para naturalizar isso para as crianças, nomeando e conversando a respeito do que sentem”, complementa a especialista.

Crianças e adolescentes regularmente tensos, irritados, isolados e calados podem estar sofrendo com a impossibilidade de expressar suas emoções. Nestes casos, cabe aos pais e cuidadores ajudá-los a manifestar o mal-estar interno. Isso pode ser feito por meio de presença e diálogo, bem como exercícios que levem à projeção como brincadeiras livres, desenhos e produção de narrativas. Tais atitudes ajudam também a nomear e dar sentido às diferentes emoções.

A psicóloga pontua ainda que repreender a criança ou o adolescente por chorar, às vezes, pode acontecer com a intenção de cessar uma expressão de manha ou birra. No entanto, essas também são expressões de desconforto interno e precisam de atenção. Ao mesmo tempo, hábitos culturais enraizados levam os pais e cuidadores, sem perceber, a repreender mais o choro dos meninos. “Mas é preciso superar essa barreira que separa padrões. Precisamos assumir que estamos todos interligados e que a forma como cada um lida com as emoções tem consequências sobre os outros e sobre as próximas gerações”, finaliza Angelita.

O Pequeno Príncipe é signatário do Pacto Global desde 2019. A iniciativa presente nesse conteúdo contribui para o alcance do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS): Saúde e Bem-Estar (ODS 3).

Acompanhe também as redes sociais do Hospital Pequeno Príncipe (FacebookInstagram, LinkedIn, X, YouTube e TikTok) e fique por dentro de informações de qualidade!

+ Notícias

25/02/2026

Como diferenciar o bicho-de-pé e o bicho geográfico?

Saber identificá-los evita complicações, infecções e dor desnecessária
24/02/2026

Nota de repúdio à decisão do TJ-MG

O Hospital Pequeno Príncipe, há mais de cem anos, atua pela defesa da proteção integral de crianças e adolescentes
18/02/2026

Dieta cetogênica no controle da epilepsia

Estratégia nutricional terapêutica ajuda a reduzir crises em crianças com quadros de difícil controle
09/02/2026

Bebê engasgado: como agir?

Reconhecer os sinais e aplicar corretamente as manobras é fundamental enquanto o serviço de emergência não chega
02/02/2026

Vírus Nipah em crianças: riscos, sintomas e formas de prevenção

De acordo com o Ministério da Saúde, a doença não apresenta risco para o Brasil e tem potencial baixo para uma nova pandemia
27/01/2026

Como identificar sinais de ansiedade na volta às aulas?

Perceber as mudanças emocionais e comportamentais é o primeiro passo para apoiar crianças e adolescentes nesse recomeço
Ver mais