Estatísticas

A realidade da violência

Em um cenário que se mantém, o Hospital Pequeno Príncipe já ultrapassou dez mil atendimentos de crianças e adolescentes em situação de risco nas últimas duas décadas — um crescimento de 126% na série histórica e um indicativo da persistência da violência contra esse público.

Diante dessa realidade, o principal desafio não é somente tratar as vítimas, e sim interromper o ciclo da violência. A proteção da infância exige uma rede ativa: familiares, professores, profissionais da saúde, cuidadores, vizinhos, poder público e toda a sociedade.

É nesse contexto que a Campanha Pra Toda Vida, do Hospital Pequeno Príncipe, completa 20 anos em 2026 como uma das principais iniciativas do país no enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes. Criada para romper o silêncio e incentivar a denúncia, a campanha evoluiu e hoje se consolida como um movimento contínuo de proteção, baseado em dados, produção de conhecimento e atuação integrada com a rede de cuidado.

Os números de 2025

Os dados revelam uma realidade que não pode ser ignorada. Só em 2025, o Hospital Pequeno Príncipe realizou 637 atendimentos de crianças e adolescentes vítimas de violência. Desses casos, 64% estavam relacionados à violência sexual, e 67% das vítimas tinham até 6 anos de idade — o que evidencia a concentração dos atendimentos na primeira infância, fase de maior vulnerabilidade.
A violência também acontece, em grande parte, dentro de casa, perto de quem deveria proteger. É uma realidade que se repete, esconde-se e, muitas vezes, não é denunciada.

A cada seis minutos, uma criança ou adolescente sofre abuso sexual no Brasil. 

A violência sexual é predominante, representando 64% dos casos, e atinge majoritariamente meninas. A paciente mais jovem atendida na instituição por violência sexual tinha apenas 6 meses.

Além disso, 68% dos agressores são familiares, evidenciando que a maior parte das ocorrências acontece dentro de casa ou no convívio próximo da vítima. Em 82% dos casos, a violência é recorrente, o que reforça a urgência de identificar, interromper e prevenir essas situações.

Violência digital

A proteção da infância também passa pelo ambiente digital. Hoje, crianças e adolescentes estão expostos a novas formas de violência, como cyberbullying, assédio on-line, aliciamento, exposição indevida, vazamento de imagens e contato com conteúdos nocivos.

Mesmo quando não chegam diretamente ao Hospital como casos clínicos, essas formas de violência exigem atenção, informação e mobilização da sociedade.

Essas situações podem comprometer a saúde emocional, a autoestima, o desenvolvimento e a segurança de meninos e meninas. Por isso, olhar para a infância no presente também exige compreender os riscos do mundo conectado.

Nesse contexto, o Estatuto da Criança e do Adolescente precisa ser lido à luz dos desafios contemporâneos. O chamado ECA Digital ajuda a ampliar esse debate e reforça a necessidade de promover orientação, prevenção, uso seguro da internet e responsabilização diante das violências praticadas no ambiente virtual.

  • Oitenta por cento das crianças brasileiras estão conectadas à internet.
  • Um em cada três jovens já sofreu cyberbullying.
  • Quatro em cada dez jovens relatam ofensas ou discriminação on-line.

Esse cenário exige atenção redobrada: acompanhar, orientar e estar presente na vida digital de crianças e adolescentes é hoje parte essencial da proteção.

A infância como ponto de maior vulnerabilidade

A maior parte das vítimas estava na primeira infância — fase que compreende os primeiros anos de vida, especialmente até os 6 anos de idade —, marcada por intensa dependência de cuidados e maior vulnerabilidade.

Desigualdade de gênero entre as vítimas

Os dados também evidenciam a desigualdade de gênero entre as vítimas.

67% das vítimas de violência atendidas em 2025 eram meninas.

Dentro de casa, em silêncio

Por trás dos números, há uma realidade especialmente dura: a violência frequentemente acontece em silêncio, dentro de casa e no convívio com quem deveria proteger.

  • Quatrocentos e vinte e um casos atendidos em 2025 foram classificados como domésticos ou intrafamiliares.
  • Esse número representa 72% dos atendimentos realizados em 2025.
  • Nos casos de violência sexual, 77% ocorreram na residência de um familiar.
  • Em 65% dos casos identificáveis, a violência foi praticada por alguém da própria família.

Uma violência que se repete e se esconde

A recorrência também aparece como aspecto importante. Em 149 atendimentos, foi informado que a violência já havia acontecido outras vezes. Em 269 casos, não foi fornecida essa informação ou ela foi ignorada. 

Isso mostra que a violência contra crianças e adolescentes frequentemente se repete e que o silêncio, a dificuldade de identificação e a subnotificação continuam sendo desafios importantes para o enfrentamento do problema. 

Em 149 casos, a violência já havia acontecido outras vezes.

Impactos que exigem cuidado especializado

A gravidade dos casos atendidos pelo Pequeno Príncipe também se expressa nas consequências clínicas. Em 2025, 162 crianças precisaram ser internadas, o que representa 25,4% do total de atendimentos, e 184 tiveram lesões decorrentes da violência sofrida. 

Oito crianças foram acolhidas institucionalmente, medida extrema adotada quando a permanência em casa representa risco à vida ou à integridade e não há familiar capaz de garantir proteção. A menor criança hospitalizada tinha apenas 10 dias de vida e foi internada por politraumatismo. 

Atendimento que vai além de Curitiba

Os dados ainda mostram que a atuação do Hospital ultrapassa os limites da capital paranaense. Em 2025, 228 crianças e adolescentes atendidos por violência sexual vieram de outras 29 cidades, o que reforça o papel do Pequeno Príncipe como referência no atendimento a vítimas e como instituição que ajuda a tornar visível uma realidade muitas vezes escondida.

Mais do que estatísticas, esses números expressam histórias interrompidas pela violência e reforçam a urgência de reconhecer sinais, denunciar e fortalecer a proteção da infância todos os dias.

CLIQUE AQUI e entenda como reconhecer sinais de violência.

Proteger a infância é um compromisso de todos.

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