Saúde Única: por que saúde humana, animal e ambiental estão conectadas?

No Complexo Pequeno Príncipe, essa visão orienta iniciativas que buscam promover saúde com compromisso com as futuras gerações

Cuidar da saúde das pessoas também significa cuidar dos animais e do meio ambiente. Essa é a premissa da Saúde Única (One Health), conceito que reconhece que a saúde humana, animal e ambiental são interdependentes e devem ser compreendidas de forma integrada. No Complexo Pequeno Príncipe, essa visão orienta iniciativas na assistência, ensino e pesquisa, fortalecendo um olhar sistêmico do cuidado e contribuindo para um futuro mais saudável e sustentável.

“Nesse sentido, há mais de um século, o Complexo Pequeno Príncipe dedica seus esforços ao cuidado de crianças e adolescentes. Afinal, pensar no futuro dessas gerações também significa compreender os impactos das transformações ambientais sobre a saúde e investir em conhecimento, pesquisa e inovação para enfrentá-los”, salienta o diretor-corporativo do Complexo Pequeno Príncipe, José Álvaro da Silva Carneiro.

O que é Saúde Única?

A Saúde Única propõe uma abordagem colaborativa para enfrentar desafios que afetam simultaneamente pessoas, animais e ecossistemas. O conceito parte do entendimento de que o equilíbrio entre esses três pilares é fundamental para a prevenção de doenças, a promoção da qualidade de vida e a construção de um futuro mais sustentável.

Embora tenha ganhado destaque mundial nas últimas décadas, essa visão não é nova. Ainda no século 19, o médico e patologista alemão Rudolf Virchow já defendia que a saúde humana e a animal estavam profundamente conectadas.

“No entanto, foi apenas no início dos anos 2000 que essa visão ganhou força institucional e se consolidou como uma estratégia global de saúde pública. O impulso veio de crises sanitárias que deixaram claro o quanto estávamos vulneráveis: a epidemia de SARS em 2003, a disseminação da gripe aviária causada pelo vírus H5N1 e os surtos recorrentes de ebola na África mostraram que doenças emergentes não respeitam fronteiras — nem geográficas, nem biológicas”, pontua a pesquisadora Ana Tereza Bittencourt Guimarães, do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, que estuda profundamente o tema Saúde Única.

A pesquisadora reforça também a importância da atuação integrada entre diferentes áreas do conhecimento. Profissionais da saúde, pesquisadores, educadores e especialistas ambientais têm papéis complementares na elaboração de soluções para os desafios sanitários do século 21.

Como essas áreas se relacionam?

A conexão entre saúde humana, animal e ambiental pode ser observada em diferentes aspectos do cotidiano e dos grandes desafios globais, conforme aponta o Ministério da Saúde.

Muitas doenças infecciosas podem ser transmitidas de animais para seres humanos, aumentando o risco de surtos, epidemias e pandemias. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que cerca de 60% das doenças infecciosas humanas tenham origem animal, evidenciando a importância de monitorar e proteger a saúde em todas as suas dimensões.

Outro desafio crescente é a resistência antimicrobiana. O uso inadequado de antibióticos favorece o surgimento de bactérias resistentes aos tratamentos, tornando infecções cada vez mais difíceis de controlar e reforçando a necessidade de ações coordenadas entre diferentes setores.

A segurança alimentar também depende dessa integração. Produzir alimentos seguros exige cuidados com a qualidade da água, práticas sustentáveis e atenção ao bem-estar animal.

As mudanças climáticas e a degradação ambiental impactam diretamente a saúde das populações e dos ecossistemas. Alterações na temperatura, nos regimes de chuva e nos habitats naturais podem favorecer a expansão de vetores de doenças, como mosquitos, aumentando o risco de transmissão de enfermidades em diferentes regiões.

Ao mesmo tempo, a destruição de ecossistemas naturais amplia o contato entre seres humanos, animais domésticos e vida silvestre, criando condições para o surgimento e a disseminação de novos patógenos. Casos como a COVID-19, o ebola, o vírus Nipah e a gripe aviária mostram como os desequilíbrios ambientais e a interação entre espécies podem influenciar a saúde global.

Pequenas atitudes, grandes impactos
A promoção da Saúde Única também passa por ações simples que podem ser adotadas no dia a dia, veja!
💚 Vacinar humanos e animais.
💚 Evitar o uso inadequado de antibióticos.
💚 Descartar medicamentos corretamente.
💚 Consumir alimentos e água de forma segura.
💚 Preservar a natureza e a biodiversidade.
💚 Apoiar práticas sustentáveis de produção e consumo.
💚 Manter espaços limpos e combater focos de mosquito e zoonoses.

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