Em 2025, o Hospital Pequeno Príncipe destinou mais de R$ 9,2 milhões para complementar a compra de medicamentos utilizados no tratamento de pacientes do SUS. Muitos deles não possuem cobertura ou têm financiamento insuficiente pelo sistema público

Quando a pequena Daniela, de Curiúva (PR), chegou ao Hospital Pequeno Príncipe, após mais de dez dias de febre, a família recebeu uma notícia difícil: ela estava com leucemia linfoide aguda. O tratamento começou imediatamente, inteiramente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“Todo o tratamento foi pelo SUS, nunca precisamos pagar nada. Minha filha recebe muito afeto de todos, e nós também. Os profissionais sempre perguntam se precisamos de alguma coisa e fazem com que esse momento tão difícil seja um pouco mais leve”, conta a mãe, Daniele Soutchuk de Barros.
O que a família da Daniela talvez não imagine é que, para garantir tratamentos como o dela, o Hospital precisa assumir custos que não são integralmente financiados pelo SUS. Somente em 2025, o Hospital Pequeno Príncipe destinou mais de R$ 9,2 milhões para complementar a aquisição de medicamentos utilizados na assistência de pacientes do SUS. Ao longo do ano, 24.496 atendimentos hospitalares demandaram essas terapias, principalmente para crianças com câncer, doenças hematológicas, doenças raras, infecções graves, pacientes transplantados e internados em unidades de terapia intensiva.
Embora indispensáveis para salvar vidas, muitos desses medicamentos não possuem cobertura pela tabela Sigtap, utilizada pelo Ministério da Saúde para financiar procedimentos hospitalares, ou têm financiamento insuficiente. Na prática, cabe ao Hospital complementar esses recursos para que nenhuma criança deixe de receber o tratamento indicado pela equipe médica.
O tratamento não pode esperar
Na assistência pediátrica de alta complexidade, a decisão clínica sempre vem antes da financeira.
Quando um médico prescreve um medicamento capaz de controlar uma infecção grave, combater um câncer ou preparar uma criança para um transplante, ele precisa estar disponível imediatamente. Não é possível interromper um tratamento oncológico ou aguardar uma definição sobre o financiamento enquanto o quadro do paciente se agrava.
É justamente nesse momento que o apoio da sociedade faz toda a diferença.

Medicamentos que fazem a diferença
Os números ajudam a dimensionar esse desafio.
A anfotericina lipossomal, utilizada no tratamento de infecções fúngicas invasivas em pacientes imunossuprimidos, representou o maior impacto financeiro entre os medicamentos utilizados em 2025, com um investimento superior a R$ 810 mil.
Outro exemplo é a peg-asparaginase, essencial no tratamento da leucemia infantil, que consumiu quase R$ 200 mil ao longo do ano. Já o plerixafor, utilizado na preparação de pacientes para o transplante de medula óssea, possui custo unitário próximo de R$ 18 mil.
A lista inclui ainda medicamentos destinados ao controle de infecções bacterianas que são multirresistentes, imunossupressão após transplantes, suporte cardiovascular e tratamento de doenças raras — terapias que precisam estar disponíveis sempre que indicadas pela equipe médica.

Muito além dos medicamentos
Cada frasco administrado representa muito mais do que um item da farmácia hospitalar. Ele pode controlar uma infecção enquanto uma criança aguarda um transplante, manter uma leucemia sob controle ou oferecer uma nova oportunidade de tratamento para pacientes com doenças raras e outras condições de alta complexidade.
Para as famílias, esses medicamentos simplesmente chegam ao leito quando são necessários. Por trás desse cuidado, porém, existe um esforço permanente para complementar recursos que o financiamento público não consegue suprir.
É graças ao apoio de pessoas, empresas, fundações e investidores sociais que o Hospital Pequeno Príncipe pode garantir que milhares de crianças e adolescentes atendidos pelo SUS tenham acesso a medicamentos essenciais, mesmo quando eles não são contemplados ou são financiados apenas parcialmente pelo sistema público.
Antes de chegar ao leito de um paciente, cada medicamento começa com um gesto de solidariedade. É esse apoio que permite ao Hospital oferecer o tratamento que cada criança precisa, no momento em que ela mais necessita.
Medicamentos que mudam histórias
Em 2025, esses e outros medicamentos representaram um investimento de R$ 9,2 milhões na assistência aos pacientes do Sistema Único de Saúde.

Estudo do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, apoiado pelo Gala Pequeno Príncipe, demonstra como o sequenciamento completo do exoma pode ajudar a identificar doenças genéticas raras na infância
Projeto desenvolvido com o apoio do Instituto Tecendo Infâncias levou a Iguape (SP) uma capacitação para profissionais de saúde, ampliando práticas voltadas ao desenvolvimento infantil e ao cuidado humanizado de crianças e famílias
No Complexo Pequeno Príncipe, essa visão orienta iniciativas que buscam promover saúde com compromisso com as futuras gerações
Recursos de apoiadores viabilizaram desde incubadoras neonatais e equipamentos de hemodiálise até sistemas de vídeo para cirurgias e exames de alta precisão
Hospital alcança marca histórica, consolida-se como referência nacional em transplantes infantis e amplia a esperança de crianças que dependem de procedimentos de alta complexidade para continuar vivendo