Estudo do Instituto de Pesquisa aponta efeitos da combinação de herbicidas em células intestinais humanas

A pesquisa identificou que a mistura de substâncias amplifica danos celulares e reforça a importância de avaliar exposições químicas combinadas

Crédito da foto: Magnific

Uma pesquisa conduzida por cientistas do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe (IPP) trouxe novos alertas sobre os impactos da exposição combinada a herbicidas amplamente utilizados na agricultura. Publicado na revista científica Environmental Toxicology and Pharmacology, o estudo demonstrou que a associação entre os herbicidas dicamba e 2,4-D pode provocar danos mais intensos em células intestinais humanas do que a exposição isolada a cada substância.

O trabalho avaliou os efeitos toxicológicos dos dois compostos em células intestinais humanas do tipo Caco-2, utilizadas internacionalmente em pesquisas sobre saúde gastrointestinal. Os pesquisadores analisaram diferentes mecanismos celulares relacionados à toxicidade, incluindo estresse oxidativo, inflamação, morte celular e danos ao funcionamento da barreira intestinal.

Os resultados mostraram que, quando combinados, os herbicidas provocaram alterações biológicas mais severas do que quando avaliados separadamente. Entre os efeitos observados estão aumento do estresse oxidativo, redução da viabilidade celular e maior indução de apoptose — processo de morte celular programada.

Exposição real e impactos na saúde

Segundo os pesquisadores, a relevância do estudo está justamente em avaliar um cenário próximo da vida real. Isso porque, no ambiente agrícola, os herbicidas frequentemente são utilizados em conjunto para aumentar a eficácia no controle de plantas daninhas, o que amplia as possibilidades de exposição simultânea da população por meio da água, dos alimentos e do ambiente.

Embora muitos estudos toxicológicos analisem substâncias isoladas, os cientistas destacam que as misturas químicas podem produzir efeitos que sejam diferentes e potencialmente mais agressivos ao organismo.

“A pesquisa reforça a importância de ampliar os estudos sobre exposições combinadas, que fazem parte da realidade ambiental e alimentar da população. Entender esses mecanismos é essencial para avançarmos na avaliação de riscos e na proteção da saúde humana”, salienta a pesquisadora Izonete Cristina Guiloski, que liderou o estudo.

Ciência voltada à saúde coletiva

O artigo também evidencia a atuação do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe em temas que conectam ciência, saúde pública e prevenção. Além de investigar doenças e tratamentos pediátricos, o Instituto desenvolve pesquisas voltadas aos impactos ambientais e aos fatores que podem influenciar a saúde ao longo da vida.

O estudo foi realizado em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), da Faculdades Pequeno Príncipe e de outras instituições brasileiras, fortalecendo a colaboração científica em torno de temas estratégicos para a saúde coletiva.

Veja mais

Hospital avança na preparação para realizar transplante intestinal

Instituição é habilitada pelo Ministério da Saúde como Serviço de Referência em Falência Intestinal e investe na capacitação internacional de equipes


Maioria das crianças vítimas de violência atendidas pelo Pequeno Príncipe tem até 6 anos

Em 20 anos, instituição já atendeu mais de dez mil crianças e adolescentes com suspeita de maus-tratos e abusos; a maioria das agressões acontece dentro de casa


Biobanco do Pequeno Príncipe impulsiona descoberta inédita sobre neuroblastoma

Amostras armazenadas na instituição possibilitaram pesquisa internacional que revelou como o tumor se protege, abrindo caminhos para novos tratamentos


Construção do Hospital-Dia marca o início de uma nova etapa na instituição

A unidade integra o projeto Pequeno Príncipe Norte e será dedicada a atendimentos diurnos e cirurgias eletivas


Pequeno Príncipe leva cuidado especializado a crianças da Amazônia

Telemedicina supera distâncias e fortalece o atendimento em Manicoré (AM), uma das regiões mais desafiadoras do país