Patricia Bertolini Izidorio: sempre guiada pela paixão à infância

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Patricia Bertolini Izidorio: sempre guiada pela paixão à infância

“É esse contato que me abastece em todos os sentidos – para a vida e o trabalho. O que me ensina todos os dias é a força com que as crianças enfrentam as situações, a energia que eles têm para a vida e a força e o apoio das famílias.”
06/12/2022
Patricia Bertolini Izidorio
A psicóloga Patricia Bertolini Izidorio entrou no Hospital Pequeno Príncipe como estagiária e hoje é gerente do Centro de Reabilitação e Convivência Pequeno Príncipe

 

A paixão pela infância sempre guiou a profissional Patricia Bertolini Izidorio, que desde criança queria trabalhar com esse público. O que ela não imaginava é que encontraria no Hospital Pequeno Príncipe esse valor em comum: o amor às crianças. Ao longo de seus 25 anos de trajetória na instituição, a psicóloga por formação e vocação pôde desenvolver-se profissionalmente, contribuir com a causa da saúde infantojuvenil e, ainda, cuidar das crianças e dos adolescentes tanto por meio do trabalho desenvolvido no Setor de Voluntariado como em seu cargo atual, de gerente do Centro de Reabilitação e Convivência Pequeno Príncipe – antigo Programa Appam. Conheça mais sobre essa história inspiradora.

Paixão pela infância

“Desde sempre quis trabalhar com crianças, pois gostava de cuidar delas. O que imaginei na minha carreira era seguir a pediatria. Até que fiz uma visita num hospital, quando tinha uns 12 anos, e presenciei muito sofrimento e percebi que não queria aquilo. Decidi, então, fazer Psicologia. Na faculdade, fiz estágios em todas as áreas – jurídico, escolar, empresarial – e deixei por último a área hospitalar, porque achei que tinha dificuldade com sofrimento físico das crianças. Até que, nas férias de 1995, fiz um curso de psicologia hospitalar, oferecido pelo Serviço de Psicologia do Hospital Pequeno Príncipe, ministrado pela Tatiana Forte. Foi ali que me apaixonei pela instituição e percebi a potência que tinha a psicologia dentro de um hospital. Em 1996, fiz estágio no maior hospital exclusivamente pediátrico do país e me apaixonei ainda mais pela forma que a instituição vê a infância e sua família. É lindo ver o olhar ampliado para a criança, como um ser em formação, prezando pelo desenvolvimento integral e com a escuta na criança.”

Trajetória na instituição

“Quando me formei, em 1997, fui contratada como psicóloga. Trabalhei por muito tempo no Setor de Voluntariado, com a potência do brincar na infância, principalmente dentro de um hospital, pois ameniza o processo de internação, facilita a adaptação da criança e possibilita que ela continue aprendendo, se desenvolvendo e se divertindo. Trabalhar dentro de uma instituição de saúde, com jogos, brinquedos e voluntários, foi uma aprendizagem enorme. No Voluntariado, atuei também com o projeto do Coral Pequeno Príncipe, o qual tenho um carinho muito grande e aonde fiz muitas amizades. Elaborei o projeto da primeira brinquedoteca, do 5.º andar, inaugurada em 2003. Foi muito desafiador, pois tínhamos poucas referências sobre brinquedotecas dentro de instituições de saúde. Até que o trabalho cresceu e abrimos outras pelo Hospital. Em parceria com a Associação Brasileira de Brinquedotecas, sediamos quatro edições de cursos sobre brinquedotecas hospitalares. Em 2006, assumi alguns projetos no Setor de Projetos e, em 2017, me tornei coordenadora do Programa Appam, que atendia pacientes com mielomeningocele e que se tornou o Centro de Convivência e Reabilitação Pequeno Príncipe, que ampliou as atividades e o público atendido.”

“É esse contato que me abastece em todos os sentidos – para a vida e o trabalho. O que me ensina todos os dias é a força com que as crianças enfrentam as situações, a energia que eles têm para a vida e a força e o apoio das famílias.”

Conexão com a causa

“Às vezes me perguntam por que eu estou tanto tempo no Hospital Pequeno Príncipe. Aqui, consigo me desenvolver profissionalmente e contribuir com a instituição, além de cuidar das crianças. Não teria perfil para atuar em um setor exclusivamente administrativo. Mas faço as duas coisas – a parte mais burocrática, escrevendo projetos, executando e prestando contas – e também tenho o contato direto com as crianças que atendemos. Faço questão de estar no Centro de Convivência e Reabilitação Pequeno Príncipe pelo menos duas vezes na semana para acompanhar a rotina da unidade e estar perto das crianças e adolescentes que atendemos, além de estar presente em todos os eventos e festas. É esse contato que me abastece em todos os sentidos – para a vida e o trabalho. O que me ensina todos os dias é a força com que as crianças enfrentam as situações, a energia que eles têm para a vida e a força e o apoio das famílias. Ao trabalhar no Hospital, eu redimensionei os meus valores. E o mais bonito é que, mesmo sendo um hospital, aqui não é um lugar triste, como imaginei lá no início. É uma instituição de alta complexidade, com inúmeras histórias de cura e muitas vitórias. Os meus problemas são muito pequenos perto de tudo que vivo aqui. Percebo todos os dias a importância de olhar ao redor, para o todo, para as pessoas e a sociedade. Quando a gente tem o olhar ampliado, a nossa vida muda e tudo fica leve.”

Histórias que marcam

“Quando eu trabalhava no Setor de Voluntariado, ficava muito perto do Ambulatório de Hemato-Oncologia e, certo dia, ouvi um choro de criança e fui ver o que estava acontecendo. A criança, que devia ter uns 4 anos, não queria entrar no consultório de jeito nenhum, então falei para a mãe dela entrar e que eu ia ficar do lado de fora lendo a história da Cinderela para a menina. Todas as semanas, ela vinha e me pedia para ler. Até que em uma das internações, ela precisou ficar em isolamento, pois estava com varicela. A mãe pediu para eu ler a história, eu fui, até que no meio da história meu celular tocou e ela disse: ‘Quem é? É o príncipe?’ Aquilo me tocou… essa verdade, potência, força da infância é o que move uma instituição desse tamanho. É por eles e para eles que estamos aqui. Tem uma outra paciente, que toda vez que eu encontro vem de cadeira de rodas até mim e diz: ‘Você é minha Patricia preferida.’ É o jeito dela dizer que sou especial. Esse contato é muito potente, vem cheio de sinceridade, carinho e sentimento verdadeiro. Isso torna a relação muito prazerosa. Cada dia com as crianças é uma surpresa, pois você nunca sabe o que elas vão falar, como vão agir ou perguntar. Ao longo dos anos, aprendi muito e continuo aprendendo. Só precisamos parar e enxergar as pessoas. Estar aqui é um privilégio. Me sinto realizada e não me permito parar, porque quero sempre buscar fazer mais e melhor todos os dias!”

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