Geraldina Freitas: uma história de gratidão e cuidado

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Geraldina Freitas: uma história de gratidão e cuidado

“A forma como você vê a vida muda quando você trabalha em um hospital. Você passa a valorizar muito mais a vida.”
30/09/2026
Geraldina Freitas
Geraldina Freitas tem uma jornada de amor e resiliência ao longo de 26 anos no Pequeno Príncipe. (Foto: Complexo Pequeno Príncipe/Thaís Lemes)

Geraldina Freitas chegou ao Pequeno Príncipe em 2000. Mas, antes mesmo de tornar-se colaboradora, ela já conhecia a instituição como mãe: seu filho passou por três cirurgias no Hospital. Hoje, como auxiliar de limpeza, ela carrega histórias de pacientes e famílias que marcaram sua trajetória e uma nova forma de enxergar a vida a partir do trabalho.

Do interior do Paraná ao Pequeno Príncipe

“Sou do Noroeste, de Planaltina do Paraná. Vim de lá com 15 anos e, desde então, já trabalhei em outros lugares também. Eu precisava muito, e apareceu essa oportunidade no Pequeno Príncipe. Foi o primeiro lugar que me chamou, e gostei muito. É difícil dizer que não gosto, né? Já estou aqui há 26 anos, então é uma história muito grande com a instituição.”

Antes de ser colaboradora, uma mãe

“Eu fazia tratamento do meu filho no Pequeno Príncipe. Ele passou por diferentes especialistas, como ortopedista, otorrinolaringologista, e fez três cirurgias. Então, foi o momento em que eu dei um tempo no trabalho. Depois, meu filho já tinha uma certa idade, e eu pensei: ‘Agora é o momento de retornar ao trabalho.’ Daí, eu trouxe o currículo, e deu tudo certo. Ah, não é fácil, porque você também se coloca no lugar da mãe que está acompanhando o filho, né? Então, às vezes, a mãe tenta desabafar, você diz umas palavras de apoio e incentivo.”

Entre diferentes setores e pessoas

“Gosto muito do trabalho que faço, das pessoas. A gente conhece muita gente, né? E gosto de tudo aqui. A gente acaba conhecendo vários setores também, eu já trabalhei nos setores administrativos, Programa Família Participante, farmácia, Serviço de Transplante de Medula Óssea (TMO), Serviço de Nefrologia e no Centro de Imagem.”

Histórias que ficam

“Conheci uma menininha no TMO que tinha um câncer grave. No dia em que ela teve alta, estava linda, parecia uma princesa. A mãe dela era uma pessoa maravilhosa, muito humilde e simpática. Como vinha de outro estado, ela conhecia a dor das outras mães e fazia de tudo para ajudar. Se alguém precisava de alguma coisa, ela ia lá e comprava. A menina melhorou e ficou bem por um tempo, mas depois a doença voltou. Lembro que cheguei a encontrar as duas na Praça do Bibinha. Conversei um pouquinho com a mãe, mas foi rápido. Infelizmente, ela não resistiu e faleceu, mas a história delas ficou gravada em mim.”

Uma nova visão sobre a vida

“A forma como você vê a vida muda quando você trabalha em um hospital. Você passa a valorizar muito mais a vida, até porque vê pessoas reclamando por pouca coisa. E também aprende a entender melhor as famílias. Eu sempre procurei ouvir e dizer uma palavra de incentivo.”

Um lugar que abriu portas

“Para mim, este lugar representa muito. Eu e meu marido estávamos desempregados, passando por um momento muito difícil da vida. Quando as portas abriram aqui, eu cheguei com tudo para fazer dar certo — e, graças a Deus, deu! Foi o momento em que mais precisei e consegui alcançar muitas coisas por meio do meu trabalho. No fim, a palavra é uma só: gratidão. Gratidão por tudo.”

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