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A língua presa em bebê (anquiloglossia) costuma gerar muitas dúvidas nas famílias. Mas a resposta mais importante é: somente a aparência do freio da língua não determina a necessidade de intervenção. É preciso avaliar se existe uma limitação dos movimentos da língua e, principalmente, se ela está provocando um problema funcional para o bebê.
“A melhor forma de diagnosticar o problema é aquela que leva em conta a anatomia da língua e a avaliação mãe/bebê, ou seja, o quanto há alguma interferência na amamentação”, explica a otorrinolaringologista pediátrica Leticia Teixeira, do Hospital Pequeno Príncipe.
O frênulo lingual é uma pequena faixa de tecido que prende a parte de baixo da língua ao assoalho da boca. Na anquiloglossia, esse frênulo pode limitar a mobilidade e dificultar movimentos como elevar ou projetar a língua para a frente.
De acordo com a especialista, uma boa avaliação considera a anatomia, a mobilidade da língua, o histórico mãe/bebê e a observação da amamentação.
Entretanto, encontrar uma alteração em uma avaliação de triagem não significa automaticamente que o bebê precisa passar por um procedimento.
Durante os primeiros meses de vida, a principal preocupação é a possível interferência na amamentação. Procure orientação de um especialista se houver:
“Também é importante lembrar das outras causas de interferência na amamentação. Por exemplo, um simples posicionamento de pega, sonolência excessiva do bebê ou alguma afecção relacionada ao seio materno, como uma mastite ou rachadura do bico do peito. E, dependendo de qual é o fator, existe uma intervenção diferente”, orienta a médica.
Quando existe dificuldade verdadeira de amamentação relacionada à restrição da língua, o procedimento de frenotomia — utilizado para liberar um frênulo lingual restritivo — pode ser útil. Mas, quando o bebê está bem e não apresenta prejuízo funcional, encontrar um frênulo considerado curto não significa automaticamente que ele precise ser cortado.
Por isso, a especialista defende uma abordagem multidisciplinar. Ou seja, avaliar mãe e bebê, oferecer suporte adequado à amamentação, acompanhar a evolução e envolver pediatra, fonoaudiólogo e otorrinolaringologista quando necessário, em vez de tomar uma decisão imediata baseada em um único teste.
Ainda segundo Leticia, embora existam hipóteses associando a anquiloglossia a dificuldades de fala e outras alterações, as evidências disponíveis não comprovam uma relação direta que justifique o procedimento preventivo exclusivamente por esse motivo. Dessa forma, cada condição deve ser investigada adequadamente caso apareça.
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O Pequeno Príncipe é participante do Pacto Global desde 2019. E a iniciativa presente neste conteúdo contribui para o alcance do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS): Saúde e Bem-Estar (ODS 3).