Hemodinâmica: cateterismo evita cirurgias de grande porte

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Hemodinâmica: cateterismo evita cirurgias de grande porte em neonatos

O serviço do Hospital Pequeno Príncipe é referência nacional em pediatria e, em 2021, realizou 297 cateterismos
25/11/2022
A hemodinâmica se baseia no estudo da circulação do sangue, possibilitando o diagnóstico e o tratamento de doenças
Aproximadamente 60% dos procedimentos da Hemodinâmica são feitos para auxiliar no diagnóstico de doenças.

 

A hemodinâmica se baseia no estudo da circulação do sangue, possibilitando o diagnóstico e o tratamento de doenças com métodos minimamente invasivos e seguros. Na fase diagnóstica, é possível obter informações sobre a anatomia e funcionalidade do coração, de suas artérias, aparelhos valvulares e músculos. Durante a fase terapêutica, o especialista realiza a correção do problema cardíaco – congênito ou adquirido – simultaneamente ao procedimento que dura, em média, uma hora e meia.

Formalizado em 1988, o serviço de hemodinâmica do Hospital Pequeno Príncipe começou oferecendo diagnósticos, que auxiliam no planejamento de intervenções cirúrgicas, e na sequência procedimentos terapêuticos, quando cateteres são introduzidos nos vasos sanguíneos, por meio do braço, pescoço ou virilha, chegando até o coração para realizar a análise ou a correção da enfermidade.

De acordo com o médico cardiologista chefe do Serviço de Hemodinâmica, Leo Agostinho Solarewicz, o exame possibilita um diagnóstico assertivo e recuperação rápida, além de direcionar a equipe de cirurgia cardiovascular para a realização de um procedimento seguro. A especialidade é referência nacional e com mais de 30 anos de funcionamento realizou, até novembro deste ano, 15.429 mil cateterismos.

Aproximadamente 60% dos procedimentos feitos no Hospital são feitos para auxiliar no diagnóstico de doenças. Os outros 40% são terapêuticos, muitos deles para corrigir determinados defeitos congênitos do coração. As intervenções da especialidade são realizadas em uma sala híbrida, que fica no Centro Cirúrgico, na qual podem ser feitos exames de hemodinâmica e eletrofisiologia, assim como cirurgias cardíacas.

As intervenções do serviço de hemodinâmica são realizadas em uma sala híbrida
O cateter permite medir a pressão arterial, colher amostras de sangue para cálculo de fluxo resistência, entre outros.

Cateterismo em recém-nascidos

Muitos bebês prematuros com cardiopatias congênitas – que são malformações que surgem na estrutura ou função do coração ainda na gestação – precisam se submeter ao cateterismo logo após o nascimento. Nesses casos, existe um diagnóstico fetal prévio, possibilitando a indicação cirúrgica ou terapêutica assertiva.

Em recém-nascidos, a hemodinâmica diagnóstica é frequentemente utilizada para que a equipe médica tenha uma visão clara da estrutura do coração. Nos casos terapêuticos é possível tratar a malformação e realizar uma estabilização da doença. “Ao utilizar o cateterismo, evita-se a cirurgia em grande parte dos casos. A vantagem está justamente nessas ações terapêuticas”, explica o médico.

Para realizar o procedimento, é necessário um cardiologista com especialização em hemodinâmica, um cardiologista pediátrico, um anestesiologista e um instrumentador cirúrgico, além do apoio da enfermagem. No exame, são usados cateteres que são introduzidos nos vasos sanguíneos para chegar até o coração. Em recém-nascidos e pacientes com obstruções femorais, o Serviço de Hemodinâmica utiliza um ultrassom para realizar a punção, tornando o exame mais rápido e seguro.

“O uso desse equipamento em hemodinâmica em neonatos é muito importante. Antigamente, para você acessar a veia de um bebê, com estruturas pequenas e delicadas, poderia levar até duas horas. Agora, em poucos minutos esse processo está feito e podemos seguir com o exame para analisar as estruturas do coração e realizar possíveis correções”, detalha Solarewicz.

O cateter permite medir a pressão arterial, colher amostras de sangue para cálculo de fluxo resistência e utilizar uma bomba injetora de contraste para que as estruturas do coração possam ser observadas e ampliadas por um aparelho especial de raio-x.

Fase terapêutica

Nos casos terapêuticos, o cateter pode levar pequenos equipamentos que são utilizados para a correção de alterações como um balão, que é usado para abrir uma área estreita. “O objetivo da hemodinâmica é diagnosticar e tratar disfunções em um procedimento seguro e minimamente invasivo. E é muito importante proporcionar isso para pacientes com uma hora de vida, até adultos”, explica o chefe do serviço.

Outros procedimentos terapêuticos frequentemente realizados pela especialidade são:
– Valvuloplastia aórtica e pulmonar em recém-nascidos, que é um defeito em uma válvula do coração ou do pulmão que está comprometida, fazendo que a circulação sanguínea seja comprometida. O reparo é feito via cateter, com um balão em sua extremidade, que faz uma dilatação e promove o retorno do fluxo do sangue;
Fechamento percutâneo de Persistência do Canal Arterial (PCA), que é uma abertura entre as artérias pulmonar e aórtica que se mantém aberta após o nascimento. O fechamento é realizado por meio de um coil, plug e duct occluder que é implantado;
Comunicação Interventricular musculares e perímetro, caracterizada pela abertura na parede que divide os ventrículos. O fechamento é realizado com uso de dispositivos;
Coarctação da aorta e ramos pulmonares, que é um estreitamento de parte da aorta, fazendo que o coração bombeie com mais força para empurrar o fluxo sanguíneo. A correção é realizada por stent, quando anatomia é adequada;
Comunicação Interatrial (CIA) tipo Ostium Secundum, que causa repercussão hemodinâmica, com sobrecarga volumétrica e dilatação da câmara;

O serviço de hemodinâmica do Hospital Pequeno Príncipe é referência nacional em pediatria e, em 2021, realizou 297 cateterismos
As intervenções da especialidade são realizadas em uma sala híbrida, que fica no Centro Cirúrgico.

Alta complexidade na hemodinâmica

Entre os tratamentos de alta complexidade possibilitados pela hemodinâmica está o implante de Stent, quando um pequeno tubo é colocado em uma artéria que está ‘estreitada’ com o objetivo de restabelecer o fluxo sanguíneo. No Pequeno Príncipe, grande parte desses procedimentos são feitos para tratar atresia pulmonar – doença congênita grave que é caracterizada por uma válvula fechada, que bloqueia a passagem de sangue que deveria ir para os pulmões.

Após a colocação do Stent via cateter, a passagem sanguínea é reestabelecida e, em algumas semanas, a criança recebe alta. Por se tratar de uma cardiopatia congênita, os pacientes que são submetidos à colocação do equipamento têm poucas horas de vida e precisam de cuidados imediatos após o nascimento, já que é uma doença grave que representa risco iminente de morte.

“São casos de alta complexidade, já que a criança depende de uma intervenção para sobreviver. Por serem pacientes com menos de 3 kg, as equipes médicas indicam a colocação do Stent por ser um procedimento rápido, seguro e com bons resultados”, detalha o médico especialista.

O trabalho em conjunto dos dois serviços, hemodinâmica e cirurgia cardíaca, também possibilita o estudo de crianças e adolescentes com cardiopatia grave que necessitam do dispositivo de oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO), para estabilização e realização de cirurgias cardíacas mais complexas – quando a criança ou adolescente tem mais de uma malformação – ou em pacientes que eventualmente tenham disfunção cardíaca ou pulmonar após o procedimento cirúrgico.

Conforme o médico responsável pelo serviço, quase 50% dos estudos são realizados para avaliar possível existência de lesões residuais da cirurgia. Por se tratar de pacientes debilitados, que estão se recuperando, o procedimento que é considerado rápido e minimamente invasivo se torna complexo. Entretanto, é a opção que proporciona bons resultados e segurança para as crianças e adolescentes que necessitam dessa intervenção.

O objetivo da hemodinâmica é diagnosticar e tratar disfunções em um procedimento seguro e minimamente invasivo
O objetivo da hemodinâmica é diagnosticar e tratar disfunções em um procedimento seguro e minimamente invasivo.

 

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