Cuidados após o transplante de medula óssea em crianças

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Quais são os principais cuidados após o transplante de medula óssea em crianças?

Em casa, a criança ainda precisa de cuidados específicos para reduzir o risco de infecções e outras complicações
28/09/2026
cuidados transplante de medula óssea em crianças
Os cuidados após o transplante medula óssea em crianças ajudam a reduzir o risco de infecções e outras complicações. (Foto: Complexo Pequeno Príncipe/Camila Hampf)

A alta hospitalar após o transplante de medula óssea (TMO) marca o início de uma nova etapa do tratamento. Em casa, a criança ainda precisa de cuidados específicos para reduzir o risco de infecções e outras complicações enquanto o sistema imunológico se recupera.

No Hospital Pequeno Príncipe, referência nacional e um dos maiores centros do Brasil e da América Latina que realizam o procedimento em pacientes pediátricos, as orientações começam desde as primeiras consultas.

A família recebe também um manual com recomendações para o período pós-transplante. Como dúvidas e situações novas podem surgir ao longo do tratamento, a equipe permanece disponível para orientar os pacientes e seus cuidadores.

Por que os cuidados continuam depois do transplante?

Quando a medula transplantada começa a funcionar, o organismo passa a produzir células de defesa. No entanto, essas células ainda precisam de tempo para amadurecer e atuar de maneira eficiente. Por isso, a recuperação do sistema imunológico após o transplante de medula óssea acontece de forma gradual.

Os primeiros cem dias depois do TMO são considerados um período de cuidados mais intensos. Quando o paciente está bem e não apresenta complicações que exijam permanência hospitalar, a equipe pode autorizar a alta para casa. Mesmo assim, as medidas para reduzir o risco de infecções continuam.

“Por volta dos seis meses, quando os exames mostram uma boa recuperação imunológica e não há outras condições que exijam restrições, começamos a liberar algumas atividades e iniciar a retomada do calendário de vacinação específico para pacientes transplantados”, explica a médica responsável pelo Serviço de Transplante de Medula Óssea do Hospital Pequeno Príncipe, Cilmara Cristina Kuwahara.

É importante lembrar que não existe um prazo único para todas as crianças. Cada paciente é avaliado individualmente, e as liberações dependem dos exames, da condição clínica, das complicações apresentadas e dos medicamentos utilizados.

Quais são os principais cuidados após o transplante de medula óssea em crianças?

A alta hospitalar não significa o fim do acompanhamento. Mesmo em casa, a criança continua realizando consultas e exames para que a equipe acompanhe a recuperação da medula e do sistema imunológico e o surgimento de possíveis complicações.

Por isso, a principal orientação é seguir individualmente as recomendações da equipe responsável pelo transplante e entrar em contato sempre que surgir alguma dúvida ou alteração no estado de saúde da criança.

Limpeza do ambiente

O ambiente doméstico deve permanecer limpo, seco, arejado e livre de mofo. Para evitar que a poeira fique suspensa no ar, a orientação é utilizar pano úmido em vez de vassoura. Também é recomendado evitar cortinas, tapetes, almofadas e brinquedos de pano no quarto, bem como trocar a roupa de cama pelo menos duas vezes por semana. Sempre que possível, é indicado que o paciente tenha um banheiro exclusivo. Quando isso não for possível, a limpeza diária do ambiente será fundamental.

Higiene pessoal e da pele

O banho deve ser realizado diariamente, com xampu e sabonete neutros. Se houver cateter, ele precisa ser protegido para não entrar em contato com a água. As toalhas devem ser de uso exclusivo do paciente e trocadas diariamente. Para evitar irritações, são indicados hidratantes e desodorantes sem perfume e sem álcool. Perfumes e talcos precisam ser evitados. Também é importante manter as unhas curtas e limpas.

Saúde bucal

Após o transplante, a redução da produção de saliva pode aumentar o risco de cáries. Por isso, o acompanhamento odontológico é importante e deve ser realizado conforme orientação médica. Os lábios também podem precisar de hidratação, com produtos adequados, como manteiga de cacau, óleo mineral ou protetor labial com filtro solar. A recomendação é utilizar escova de dentes extramacia e creme dental infantil, realizando a higiene depois das refeições e antes de dormir.

Higiene das mãos

Lavar as mãos corretamente é uma das principais formas de prevenir infecções. A higiene deve ser feita com água corrente e sabão, esfregando as palmas, entre os dedos e embaixo das unhas, especialmente: antes e depois das refeições, de manipular as medicações e de ir ao banheiro. E após brincar e estudar.

Alimentação

Nos primeiros períodos posteriores ao TMO, a alimentação precisa ser preparada preferencialmente em casa, seguindo as orientações do médico e do nutricionista. O objetivo é reduzir o risco de contaminação por microrganismos. Os alimentos devem ser frescos, bem higienizados e adequadamente cozidos. Alimentos com maior risco de contaminação, como carnes malpassadas, peixe cru, embutidos e alguns produtos enlatados, podem permanecer restritos por mais tempo. Frutas, verduras e saladas também são introduzidas de acordo com a avaliação da equipe.

Uso de máscara

O paciente deve utilizar máscara descartável até que a equipe médica autorize a suspensão. Ela é especialmente importante durante consultas, passeios e quando houver contato com outras pessoas. Em casa, pode ser dispensada quando a criança estiver na presença dos familiares que convivem habitualmente com ela.

Animais de estimação

O contato com animais deve ser evitado inicialmente. Pelos, fezes e urina podem carregar microrganismos capazes de provocar infecções em um organismo com a imunidade comprometida. Em geral, a equipe espera pelo menos os primeiros cem dias para avaliar a possibilidade de retomada do contato. No entanto, a liberação depende da condição clínica da criança, das características do animal e da realidade de cada família.

Vacinação

Antes de liberar as vacinas, a equipe avalia a recuperação do sistema imunológico por meio de exames e outros critérios clínicos. A partir dessa avaliação, é elaborado um calendário vacinal específico para pacientes transplantados, seguindo as recomendações das sociedades médicas especializadas.

Medicamentos

Os medicamentos prescritos devem ser administrados nos horários e nas doses orientadas pela equipe. Nenhum medicamento pode ser interrompido, alterado ou substituído por conta própria. Se a criança apresentar enjoos, vômitos ou qualquer dificuldade para tomar os remédios, a família deve entrar em contato com a equipe.

Saúde emocional

O período pós-transplante pode representar uma grande mudança na rotina da criança e de toda a família. Restrições de contato social, afastamento da escola, mudanças na alimentação e limitações para brincar ou realizar determinadas atividades podem gerar frustração ou insegurança. Por isso, quando necessário, a família pode conversar com a equipe sobre suporte psicológico e outras formas de apoio durante a recuperação.

Atividade física

Apesar das restrições, é importante evitar que a criança permaneça o dia todo deitada ou parada. Pequenas atividades dentro de casa podem ajudar na manutenção da autonomia e da massa muscular. A atividade física deve sempre ser adaptada à idade, às condições clínicas e à recuperação de cada paciente, evitando risco de queda ou possibilidade de ferimentos.

Exposição ao sol

A exposição direta ao sol é restrita nos dois primeiros anos após o TMO. A radiação solar está diretamente ligada ao surgimento, reativação ou piora da doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH).

Volta às aulas

A volta à escola e a outras atividades com maior contato social geralmente é considerada a partir de aproximadamente seis meses, desde que o paciente apresente boa recuperação imunológica e tenha iniciado o esquema de vacinação indicado. O objetivo é proteger a criança justamente durante a fase em que o sistema imunológico ainda está em recuperação.

O que evitar após o transplante de medula óssea em crianças?

  • Contato com pessoas com doenças infectocontagiosas ou respiratórias, como gripe, COVID-19, sarampo e catapora.
  • Ambientes com aglomeração, como shoppings, cinemas, supermercados, lojas e outros locais públicos.
  • Excesso de visitas em casa.
  • Contato com animais de estimação, plantas e materiais de obras ou reformas.
  • Piscinas, praias, açudes e lagoas, até liberação médica.
  • Brincadeiras que possam provocar quedas, cortes ou outros ferimentos.
  • Exposição direta ao sol.
  • Uso de maquiagem, perfumes, cosméticos ou produtos que possam irritar a pele.

Quais sinais exigem atenção?

É importante procurar orientação diante de qualquer mudança no estado de saúde, como:

  • febre igual ou superior a 37,8°C;
  • dor em qualquer parte do corpo;
  • alteração na cor ou no cheiro da urina;
  • dor ou ardência ao urinar;
  • sangramentos;
  • mudança na cor ou consistência das fezes;
  • alterações na pele ou na boca;
  • tosse ou falta de ar;
  • enjoo e vômitos;
  • contato com pessoas que tenham doenças infecciosas;
  • acidentes, cortes, queimaduras ou mordidas de animais;
  • alterações no cateter, como vermelhidão, secreção, sangramento ou inchaço.

O Pequeno Príncipe é participante do Pacto Global desde 2019. E a iniciativa presente neste conteúdo contribui para o alcance do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS): Saúde e Bem-Estar (ODS 3).

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