Mais de 60% das famílias de crianças internadas no Pequeno Príncipe vivem com até dois salários mínimos

Pesquisa revela desemprego elevado entre acompanhantes e mostra que 60% dos internamentos no Hospital são realizados pelo SUS

Mais de 60% das famílias de crianças internadas no Hospital Pequeno Príncipe vivem com renda de até dois salários mínimos. O dado faz parte de uma pesquisa que traçou o perfil socioeconômico dos pacientes que foram hospitalizados em 2025 e seus acompanhantes.

O levantamento revela que o tratamento de saúde infantil, em muitos casos, acontece em um contexto de múltiplas vulnerabilidades sociais. Para uma parcela expressiva das famílias atendidas, enfrentar a doença de um filho também significa lidar simultaneamente com desemprego, renda limitada e dependência de políticas públicas.

Entre os acompanhantes, 48% estão desempregados. Mesmo entre aqueles que possuem ocupação, a estabilidade é limitada: 31% trabalham em atividades informais, sem vínculo empregatício formal.

Esse cenário demonstra que, para muitas famílias, o período de hospitalização de uma criança exige reorganizações profundas na vida cotidiana, afetando renda, rotina de trabalho e dinâmica familiar.

Dependência de políticas públicas

A pesquisa também evidencia a relevância das políticas públicas no apoio às famílias atendidas pela instituição. Três em cada dez crianças internadas recebem algum tipo de benefício governamental, indicador da importância de programas de assistência social para garantir condições básicas durante o tratamento.

No campo da saúde, o papel do sistema público se mostra central. Em 2025, 60% dos internamentos realizados no Pequeno Príncipe ocorreram pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Considerando também os atendimentos ambulatoriais e demais critérios do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), os atendimentos do Hospital para o SUS totalizaram 76% em 2025.

Reconhecido pela sua abrangência e pelo princípio da universalidade, o SUS é uma das maiores políticas públicas de saúde do mundo. Parte relevante desse atendimento é feita por hospitais filantrópicos, que atuam em parceria com o sistema público, especialmente em áreas de alta complexidade.

Historicamente, no entanto, os valores pagos pelo sistema público não cobrem integralmente os custos da assistência prestada. Esse desequilíbrio financeiro acumulado ao longo dos anos faz com que instituições filantrópicas dependam também do apoio constante da sociedade — por meio de doações e investimentos sociais — para manter e ampliar o atendimento oferecido a crianças e adolescentes.

Complexidade do cuidado

O estudo também apresenta a complexidade das demandas de saúde atendidas pelo Hospital. Entre as crianças internadas, 24% têm algum tipo de deficiência, condição que exige acompanhamento especializado e suporte contínuo às famílias ao longo do tratamento.

A pesquisa traz ainda um recorte racial do público atendido: 33% dos pacientes e 42% dos acompanhantes se identificam como pretos ou pardos, evidenciando a presença expressiva de famílias negras entre aquelas que buscam a instituição.

Outro aspecto que se destaca é a centralidade das mães no cuidado hospitalar. Em 78% dos casos, são elas que permanecem com as crianças durante a hospitalização, muitas vezes precisando reorganizar rotinas de trabalho e a dinâmica familiar para acompanhar o tratamento.

Retrato social do cuidado infantil

O retrato revelado pela pesquisa aponta para a necessidade de um cuidado que vai além do tratamento médico. Para muitas das famílias atendidas, o internamento de uma criança ocorre em meio a desafios econômicos e sociais que tornam esse momento ainda mais delicado. Nesses casos, o cuidado em saúde envolve também acolhimento, escuta e iniciativas de humanização que apoiam as famílias durante todo o processo de tratamento, ajudando a garantir dignidade e proteção aos pacientes e aos seus responsáveis.

A atuação do Hospital Pequeno Príncipe dialoga diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, especialmente o ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), o ODS 10 (Redução das Desigualdades) e o ODS 1 (Erradicação da Pobreza), ao contribuir para que crianças e adolescentes tenham acesso ao tratamento especializado de que precisam.

Veja mais

Estudo identifica autismo em 38% das crianças com atrofia muscular espinhal tipo 1

Resultado supera em muito a prevalência na população geral e indica que o transtorno pode estar subdiagnosticado nessa população


Investimentos sociais impulsionam transformação digital no Pequeno Príncipe

Projeto executado com o apoio da sociedade está modernizando sistemas, ampliando a segurança de dados e fortalecendo o atendimento de crianças e adolescentes


Investimentos sociais representaram 47% dos recursos destinados a obras no Pequeno Príncipe

Aportes diretos e investimentos realizados por meio de incentivo fiscal sustentaram melhorias em segurança, infraestrutura e áreas assistenciais durante o ano


Ano começa com conquistas que reforçam a excelência em ensino e pesquisa no Pequeno Príncipe

Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia do IPP alcança nota 6 da Capes, enquanto alunos de Medicina da FPP obtêm nota máxima no Enamed


Hospital Pequeno Príncipe atende mais de 100 mil crianças em 2025 e reforça papel estratégico no SUS

76% dos atendimentos foram realizados pelo SUS, com volume elevado de internamentos, cirurgias e procedimentos de alta complexidade