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Complexo, Hospital

Primeira Infância: palestra reforça a importância do cuidado integral a crianças

Doutor em Medicina Saul Cypel destacou a neurociência e a relevância da atenção no desenvolvimento humano. Evento faz parte do projeto Saber Mais, Participar Melhor, do Hospital Pequeno Príncipe

dsc_3944A importância dos estímulos, das vivências, do carinho e do afeto no desenvolvimento de crianças no período que vai de zero a seis anos de idade foi ressaltada pelo doutor em Medicina Saul Cypel durante evento promovido nessa terça-feira, dia 20, na Sociedade Paranaense de Pediatria. A palestra “Neurociência e a Relevância da Primeira Infância no Desenvolvimento Humano” foi uma ação do projeto Saber Mais, Participar Melhor, do Hospital Pequeno Príncipe.

O professor livre docente de Neurologia Infantil da Universidade de São Paulo (USP) e membro do Comitê de Especialistas e de Mobilização Social do Ministério da Saúde para o Desenvolvimento Integral da Primeira Infância falou para um auditório repleto de profissionais e estudantes da área da saúde. O acontecimento foi prestigiado pela vice-governadora do Paraná e defensora do tema, Cida Borghetti. Também estiveram presentes o diretor corporativo do Complexo Pequeno Príncipe, José Álvaro da Silva Carneiro; a diretora executiva do Hospital Pequeno Príncipe, Ety Cristina Forte Carneiro; o diretor clínico da instituição, Donizetti Giamberardino Filho; médicos e outros profissionais do Hospital; e a professora Anna Chiesa, da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal.

De acordo com Cypel, a fase que compreende a gestação, o parto e os seis primeiros anos de vida é fundamental para a formação humana, e também o período no qual ocorre a maioria das ligações entre neurônios. “Na 25ª semana de gestação, por exemplo, o bebê já ouve batimentos cardíacos e os pais conversarem. O seu desenvolvimento começa dentro do útero e, quando nasce, a criança não é uma tábula rasa”, afirmou.

O médico lembrou também da importância do papel do pai e da mãe nessa etapa da vida. Segundo ele, o aprendizado se desenvolve com base no tripé da estrutura neurobiológica, da estimulação e do afeto. Oferecer as melhores condições favorece o desenvolvimento de habilidades e o alcance do melhor potencial dos meninos e meninas. “O afeto, o acolhimento e o carinho são muito importantes. Se não recebê-los, isso vai se refletir na adolescência e na fase adulta. Por isso, precisamos reforçar a relevância da participação ativa da família e favorecer o vínculo da criança com o pai e a mãe”, salientou.

Abordagem médica
Saul Cypel abordou ainda a atuação dos médicos na Primeira Infância. “Os pediatras precisam promover uma consulta mais humana, que vá além do aspecto físico, e levar informações aos pais. Não devem observar apenas os marcos do desenvolvimento, as doenças em si e se o bebê cresceu, engordou, se está com febre ou tosse”, disse. Para ele, a dinâmica familiar deve ser considerada. “É necessário ter sensibilidade e verificar as sutilezas, pois não somos somente genética. A influência do meio também conta. Por isso, valorizar o vínculo da criança com a família é essencial”, observou.

Sobre o projeto do Pequeno Príncipe
O projeto Saber Mais, Participar Melhor é uma iniciativa do Hospital Pequeno Príncipe e tem como objetivo trabalhar assuntos relacionados à Primeira Infância. Envolve atividades voltadas a profissionais da instituição, familiares e acompanhantes de crianças de zero a seis anos em tratamento, o que representa 50% dos pacientes atendidos. Por meio dele, serão reforçados programas já existentes – como o Família Participante e o Setor de Educação e Cultura – e estruturados espaços de diálogo sobre o tema, elaboradas cartilhas e realizados cursos.

“Temos a missão de proteger a criança e o adolescente por meio da assistência, do ensino, da pesquisa e da mobilização social, além de fortalecer o núcleo familiar. O proteger está relacionado ao cuidado integral do paciente e vai além da doença. Inclui o brincar, o educar, o aculturar, que formam um cidadão pleno”, pontuou Ety. “O Pequeno Príncipe é pioneiro em incorporar indicadores ligados à Primeira Infância. Neste evento, por exemplo, tivemos um dia intenso, com muitos frutos do trabalho”, completou Anna Chiesa.

Marco legal da Primeira Infância
Durante o evento, a vice-governadora Cida Borghetti destacou o Marco Legal da Primeira Infância, aprovado e sancionado em 2016. A lei visa à criação de programas e serviços que garantam o desenvolvimento integral da criança, de seu nascimento até os seis anos. O direito de brincar, a qualificação de profissionais e a ampliação da licença-paternidade são alguns dos tópicos do marco. “O Brasil tem a lei mais avançada do mundo. Agora, precisamos colocar em prática. Nosso país será melhor somente se fizermos valer o princípio fundamental do cuidado integral dos meninos e meninas. Contamos com o apoio incansável do Hospital Pequeno Príncipe, que está sempre pronto a atender as necessidades da Primeira Infância”, reforçou.

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