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Diagnóstico precoce e aderência ao tratamento fazem a diferença no combate ao lúpus

No dia mundial de luta contra a doença, o alerta vai para os cuidados exigidos pela enfermidade, que, apesar de complexos, garantem uma melhor qualidade de vida aos pacientes

O lúpus é uma doença autoimune em que um desequilíbrio do sistema imunológico o leva a atacar tecidos do próprio corpo. Apesar de rara, a enfermidade também ocorre na infância e exige paciência e comprometimento familiar. Neste Dia Mundial da Luta Contra o Lúpus, lembrado em 10 de maio, o alerta é para a importância do diagnóstico precoce e da aderência ao tratamento.

De modo geral, o lúpus na infância é similar ao manifestado em adultos. “A diferença é que os meninos e meninas apresentam um maior comprometimento do Sistema Nervoso Central. Por isso, o quanto antes a doença for diagnosticada, menor serão os danos em órgãos vitais”, explica a reumatologista pediátrica do Hospital Pequeno Príncipe, Márcia Bandeira.  Outra característica é que as crianças com a enfermidade podem ficar abatidas e apresentar perda de peso.

A causa do lúpus ainda é desconhecida. Sabe-se que alterações hormonais, exposição à luz solar, infecções e estresse emocional podem desencadear a doença. O diagnóstico nem sempre é fácil, pois boa parte dos sintomas pode ser confundida com os de outras enfermidades. Porém, geralmente, um exame de sangue é suficiente para confirmar a doença – já que nela há uma formação excessiva de anticorpos que, em situações normais, não estariam no sangue.

Entre os sintomas do lúpus estão o comprometimento de órgãos como o coração, rins, fígado e cérebro, além de febre e vermelhidão na pele. “Alguns pacientes apresentam lesões avermelhadas no rosto, com o formato de uma asa de borboleta”, destaca a médica. É fundamental que as pessoas com a doença também se protejam do sol. “Os raios solares podem estimular a inflamação e ativar ainda mais a enfermidade. O ideal é evitar tomar sol e usar protetor solar mesmo em dias nublados”, completa.

O tratamento da doença é complexo. “Porém, quando feito de maneira adequada, pode aumentar consideravelmente a qualidade de vida dos pacientes com lúpus”, afirma a especialista.  Ele é geralmente feito com o uso de medicamentos imunossupressores (que fazem o organismo parar de lutar contra si mesmo). Porém, esse tipo de remédio, ao suprimir o sistema imunológico, facilita “a entrada” de outras doenças e infecções. Além disso, eles geram efeitos colaterais, que precisam ser combatidos com outros medicamentos.

As crianças e adolescentes também precisam seguir uma alimentação saudável e praticar atividades físicas, já que o lúpus pode causar alterações cardiovasculares a longo prazo. “Cada pessoa é única e terá sintomas e tratamentos específicos. Por isso, é necessário levar em consideração cada caso em particular, e consultar sempre um médico”, aponta Márcia. “Ter paciência e apoio familiar também são essenciais”, completa.

Questão psicológica e o lúpus

Doenças crônicas como o lúpus afetam, além da saúde física do paciente, a sua vida social e emocional. “Elas exigem uma atenção permanente em virtude de implicações no desenvolvimento e qualidade de vida dos meninos e meninas. As mudanças impostas pela enfermidade são, por si só, repletas de desafios”, salienta a Coordenadora do Serviço de Psicologia do Pequeno Príncipe, Ângela Bley.

Além disso, pacientes adolescentes exigem ainda mais atenção. “O surgimento da enfermidade é estressante em qualquer fase da vida, mas na adolescência ela pode potencializar os conflitos próprios da idade”, alerta a psicóloga.

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