Dia Mundial de Prevenção do Suicídio: Pequeno Príncipe alerta sobre como agir diante de sinais de risco

Organização Mundial da Saúde diz que 90% dos casos poderiam ser evitados

No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, lembrado nesta terça-feira, 10 de setembro, o Pequeno Príncipe, maior hospital pediátrico do país e referência em atendimentos dessa natureza, alerta para o crescimento de casos entre crianças e adolescentes. Nessa data, vale lembrar que, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, nove em cada dez suicídios poderiam ser evitados. Por isso, o engajamento de toda sociedade é fundamental para reverter esse quadro.

Segundo informações do Ministério da Saúde, em todo o país, em 2017 – último ano com dados disponíveis -, foram 1.055 registros na faixa etária entre 5 e 19 anos, recorde da série histórica iniciada em 1979. Essa complicada situação verificada no país fez com que o público jovem fosse escolhido como foco das ações da campanha do Setembro Amarelo, movimento mundial de prevenção ao suicídio.

De acordo com a coordenadora do Setor de Psicologia do Hospital Pequeno Príncipe, Angela Bley, o suicídio é um fenômeno complexo, multifatorial, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero. “Mas crianças e adolescentes são ainda mais suscetíveis porque estão em processo de desenvolvimento emocional e, por isso, a escola, os pais, familiares, amigos e pessoas próximas devem estar atentas aos sinais de risco”, considera.

Para a psicóloga, não existe uma receita pronta para detectar seguramente quando uma pessoa está vivenciando uma crise suicida ou tem algum tipo de tendência, mas reconhecer alguns comportamentos pode auxiliar na busca de ajuda. “A prevenção no caso de criança e adolescente já deve começar na gestação com um ambiente seguro. Os pais devem sempre estimular a autoestima, conversar muito e prestar atenção no comportamento do filho”, acrescenta.

Fatores como tristeza profunda, descontextualizada e permanente, isolamento social extremo, perda de interesse em atividades que antes davam prazer, crises de choro frequentes, queda no rendimento escolar, verbalização de expressões de autorrecriminação ou que represente baixa autoestima, além de manifestações com morbidade acentuada e mudanças nos padrões do sono e/ou apetite, merecem atenção, ainda mais se manifestados ao mesmo tempo.

 

Como ajudar

Confira oito atitudes apresentadas pela psicóloga do Pequeno Príncipe, que familiares e pessoas próximas podem adotar diante dos sinais de risco de um adolescente ou criança:

– Mostrar-se disposto a conversar e disponível a ouvir. A abordagem deve ser acolhedora e carinhosa, também é importante manter contato visual, prestar atenção e responder sempre em tom gentil;

– Não fazer julgamentos prévios e preconceituosos, baseados em ideias como “quem ameaça, não se mata”;

– Não fazer interpretações como “suicídio é um ato para chamar a atenção, manipular, de fraqueza, de covardia, de coragem, de falta de fé, de Deus e de amor”;

– Incentivar o adolescente (ou familiar no caso de crianças) a procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de saúde mental, de emergência ou apoio em algum serviço público. Esclarecer que ele não precisa sentir culpa ou ter vergonha de estar assim e que problemas emocionais podem ser tratados. Oferecer-se para acompanhá-lo a um atendimento;

– Não deixar o adolescente sozinho, principalmente se perceber que há perigo iminente. Procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência e entrar em contato com alguém de confiança, de preferência indicado por ele;

– Não comparar problemas ou sofrimentos dele com de outras pessoas: “tem gente em situação pior”, “veja o que seu irmão está passando”;

– Nunca minimizar, desvalorizar, rotular, abandonar, incentivar ou desafiar;

– Sempre levar a sério, escutar sem julgamento, oferecer ajuda e acompanhar.

Assista também o vídeo, da coordenadora do serviço de Psicologia do Hospital Pequeno Príncipe, Angela Bley.

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