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Complexo, Hospital

Cardiopatias congênitas atingem 24 mil crianças por ano

No dia 12 de junho, em que é lembrada a conscientização dessas doenças, o destaque é para o diagnóstico precoce, que pode salvar vidas

O coração é o primeiro órgão que começa a se formar no bebê, por volta do 18º dia de gestação. Seu pulsar representa a vida e emociona as mães ao ouvi-lo. No entanto, algumas vezes, ele está sujeito a malformações presentes desde o nascimento. São as chamadas cardiopatias congênitas. 

De acordo com dados de 2014 da Organização Mundial de Saúde (OMS), a incidência desses problemas é de 8 a 10 por 1.000 nascidos vivos. Isso representa, aproximadamente, 24 mil crianças por ano. Por conta dos altos índices, neste domingo, dia 12, é lembrado o Dia da Conscientização da Cardiopatia Congênita.

Apesar de rara, a anormalidade na estrutura ou função do coração pode ser identificada ainda durante a gravidez. “A boa notícia é que essa complicação é reversível, e não uma condenação. Quanto antes for tratada, maior a chance do paciente levar uma vida normal”, relata o cardiologista pediátrico do Hospital Pequeno Príncipe, Nelson Miyague.  O diagnóstico precoce é importante para o planejamento do parto e pode salvar a vida do bebê.

Tratamento

O tratamento mais recorrente para 35% dos cardiopatas congênitos é a intervenção cirúrgica. São aproximadamente 8,4 mil crianças que passam por cirurgias pontuais, sem considerar a necessidade de novos procedimentos durante a vida.

O Brasil conta com apenas oito centros de cardiologia exclusivamente pediátricos e apenas dois deles realizam mais de 100 cirurgias por ano em crianças de até um ano. “De zero a 29 dias, somente o Pequeno Príncipe faz mais de 50 cirurgias por ano. Em 2015, foram 70 recém-nascidos”, destaca Miyague.

“O diferencial do Pequeno Príncipe é a presença de profissionais especializados. Por exemplo, nós temos cirurgiões que só operam o público pediátrico. Além disso, contamos com equipamentos exclusivos para crianças com diferentes pesos. Nos casos dos recém-nascidos, é muito difícil encontrar essa estrutura em outro lugar”, conta o cardiologista.

Vidas transformadas

DSC_0075Maria Izabel Wendrechovski, de 36 anos, já fez duas cirurgias de coração na instituição, uma aos quatro meses e outra quando tinha quatro anos. Ela pouco se lembra dessa fase, mas conta com as memórias da mãe. “Minha mãe diz como éramos bem tratadas no Hospital e como as pessoas eram ‘humanas’ ao falar e ao agir.”

Os procedimentos foram um sucesso. “O coração é um órgão tão importante que sem as cirurgias, seria difícil viver”, conta a ainda paciente do cardiologista pediátrico Nelson Miyague.

Alguns casos de cardiopatia congênita são tão complexos que se torna quase impossível um especialista em adultos assumir o paciente. Sendo assim, excepcionalmente, o atendimento ainda é feito no Pequeno Príncipe.

Maria, por exemplo, retorna uma vez por ano para exames de rotina. Hoje, ela leva uma vida normal e tem duas filhas que, inclusive, foram acompanhadas no pré-natal por Miyague.

“Não há o que temer, eu sou a prova viva de que as coisas podem mudar de rumo. Sou muito grata a Deus e a competência técnica dos profissionais do Pequeno Príncipe”, agradece Maria Izabel.

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