Síndrome que atinge 60% das crianças é debatido por especialistas em Curitiba

A insuficiência de ferro no organismo foi tema de mesa-redonda no Criança 2010 – III Congresso Internacional de Especialidades Pediátricas, que vai até dia 31 de agosto
Por Manuela Ghizzoni
A síndrome da anemia ferropriva, que se caracteriza pela insuficiência de ferro no organismo, pode causar distúrbios de aprendizado e crescimento, fraqueza e fadiga, podendo afetar pessoas de todas as idades, principalmente crianças e mulheres grávidas. O tema, que atinge quase 60% das crianças, foi tratado no Criança 2010 – III Congresso Internacional de Especialidades Pediátricas, que vai até dia 31 de agosto, em Curitiba.
Segundo Rodolfo Cançado, professor adjunto de Hematologia e Oncologia da Santa Casa de São Paulo, nas crianças, as principais causas da deficiência de ferro se originam do abandono cedo do aleitamento materno, intolerância à lactose, alimentação inadequada e má absorção de ferro pelo organismo. As crianças menores de dois anos que cresceram muito rápido também podem desenvolver a anemia ferropriva. Mesmo que seja uma doença simples de ser tratada, Rodolfo alerta para a importância do diagnóstico. “Tão importante quanto tratar a anemia, é saber a sua causa”, reforça o especialista.
Tratamento
O diretor médico do Hemobanco de Curitiba, Giorgio Baldanzi, também integrante da mesa-redonda, afirmou que o tratamento da anemia ferropriva, que dura até oito meses, se dá por meio de medicamentos que vão repor o ferro no organismo. “Durante esse tempo, o apoio e esclarecimento dos pais em relação à anemia são muito importantes”, alerta. Ele afirma que no início, os medicamentos podem causar diarreia e escurecer os dentes, o que faz com que muitas crianças queiram abandonar os remédios. Dessa forma, é preciso que os pais estimulem o tratamento para que a anemia possa ser curada.
Sintomas
A pediatra Sandra Regina Loggetto abordou em sua palestra os sintomas mais comuns da anemia, que os pais devem estar atentos. São eles: palidez, cansaço, palpitações, unhas e cabelos quebradiços.  Segundo a especialista, aos primeiros sinais de anemia, a criança deve ser encaminhada a um médico para verificar além dos sintomas, o histórico familiar do paciente e a existência de alguma outra doença.  Somente após o diagnóstico correto, feito por um médico, deve ser iniciado o tratamento.
Muitas vezes os sintomas passam despercebidos pelos pais, segundo a chefe do Serviço de Oncologia do Hospital Pequeno Príncipe, Flora Watanabe, que presidiu a mesa-redonda. “Não é porque a criança é mais gordinha que ela não tenha anemia”, finaliza.
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